domingo, 16 de junho de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 7-Revisão





Há uma mágoa que me atravessa como água,
preenchendo os espaços todos...
Não quero passar por aquilo outra vez,
mas talvez o sofrimento se queira passear por mim...

Inês Dunas: A Fábula da Bela Adormecida e da Cobra

A. guardou cuidadosamente o telemóvel no bolso direito do casaco e sem pensar duas vezes, acelerou o passo para o exterior do recinto da escola. A chuva abrandara e a mensagem que recebera de S. tivera o condão extra de a desassossegar.
Por um lado ficara aliviada por saber que a sua amiga estava bem, ou pelo menos a ser acompanhada pela experiência médica do seu pai, mas por outro lado o saber que ela estava em casa com o pai, os dois sozinhos não lhe caíra bem.
Claro que ela amava o pai e depois da morte da mãe, quando ela ainda tinha dois anos de idade, a única pessoa com quem podia contar era de facto o pai. A ele, de certa forma lhe deve os primeiros passos, os primeiros sonhos, as primeiras palavras, os primeiros sorrisos rasgados. Não negava que P. sempre tinha estado presente, sempre se mostrara realmente interessado em quem ela era e no que ela queria e sempre lhe dera o apoio que qualquer criança na fronteira da adolescência necessitava. Na verdade, de todos os pais do mundo que lhe poderiam ter calhado, jamais alguém seria assim tão perfeito aos seus olhos como P.
Mas depois havia o outro lado, aquela parte desconhecida do pai. Como se de um outro Ser se tratasse. Como se no fundo, o homem fosse uma balança com dois pratos de atitudes diferentes e teria que gerir o claro e o obscuro com mestria. Às vezes, concluiu ela a entrar para o metropolitano, os dois pratos, as duas metades reagem de forma diferente, criando um desnível que de certa forma permita que o pior de nós se revele. E se esse desnível suceder que aconteça apenas na intimidade de um lar, entre os dois, de forma a evitar julgamentos de valor de outros.
Isso recordava-lhe um certo dia, há bem pouco tempo atrás. Não sabia ao certo como seriam os outros pais, mas sabia que quando se ia deitar e nos dias em que P. estava de folga, ele se entregava aos seus demónios, na companhia de vários copos de Whiskey, perdido no seu escritório, sentado á frente do monitor LG.
O escritório que ele montara em casa, não era um consultório, nem uma extensão da sua actividade profissional. Era, concluiu A. enquanto subia as escadas da estação de Metro em direcção ao exterior, o seu refúgio, o abrigo do seu lado negro. No fundo, a expiação dos seus pecados mais secretos. Era igualmente a única divisão de casa vedada qualquer pessoa, ela incluída. Algo que de início ela não entendia, bem como não compreendia o porquê não só de ele fechar sempre a porta à chave quando saía, bem como só se fechar lá dentro após ela ir para o quarto. Poderia ele assumir que o seu “turno” de pai tinha terminado ou seria algo mais egoísta, algo de diferente que ele jamais pudesse partilhar.
Ora durante algum tempo aquela divisão exercera nela o secreto fascínio de algo que tinha de ser explorado e um dia a curiosidade foi a sua conselheira. A recordava-se perfeitamente desse momento, numa quente noite de Julho quando após se despedir de P. e supostamente se deitar, aguardou até que ele se fechasse no escritório, para então pé ante pé caminhar até à porta da divisão, ajoelhar-se e esperançada de que o pai cumprisse a rotina e retirasse a chave para o bolso, espreitar pela fechadura de modo a poder descortinar algo de concreto.
Era um tiro no escuro, dado a secretária não estar na direcção da porta, mas era a única coisa que lhe restava naquele momento de modo a saciar a curiosidade e nesta idade a curiosidade era algo que tinha de ser satisfeita, sem qualquer remorso ou receio.
Nesse dia e para surpresa sua, tudo correra de feição, no seu plano de improviso. Por qualquer razão, os astros alinharam-se favoravelmente às suas pretensões e os seus pequenos olhos cinzentos tragaram de uma vez as imagens que lhes chegavam em bruto pelo buraco da fechadura. Sorveu-as como pode, evitando perder qualquer segundo. Concentração, foco e ansiedade no pêndulo dos minutos que permaneciam imutáveis no tempo, congelados na rotação eterna do planeta. De joelhos e só de short e T-Shirt ela assistiu a uma cena que jamais esqueceria. A um espectáculo minimalista e que de certa forma a marcara na sua tenra idade.
O pai encontrava-se em pé, diante da porta, mas virado de lado, agindo como se mais alguém estivesse presente, o que ela sabia ser impossível. O campo da visão de A. do ponto onde se encontrava incidia exactamente sobre as calças de fato treino a baixarem revelando um mastro hirto e a mão dele segurando-o.
Ela sabia que as calças eram a indumentária favorita do pai, nos serões nocturnos, sobretudo quando este estava de folga. Sabia igualmente que ele as evitava usar na sua presença e agora ao ver o estranho ritual do progenitor percebia tudo.
Ajoelhada com as palmas das mãos coladas à porta, atenta ao que observava pela fechadura, na ânsia de não perder pitada, cometeu um erro básico próprio da excitação do momento. O seu pé escorregou levemente, fazendo-a desequilibra-se e embater com a testa na porta, alertando o progenitor que percebeu que não estava sozinho.
Com um arrepio, mas não propriamente de frio, A. entrou para o elevador enquanto tinha presente o som do pai a abrir a porta, ela a retirar-se para o quarto em passo desgovernado, com o coração aos saltos no seu peito, como se no fundo tivesse esperado que o pai não reagisse.
Mas o pai reagiu e de uma forma que a espantou, avançando pelo pequeno corredor, ajustando as calças, a ferver de raiva e não de vergonha e a entrar de rompante no quarto:
-Levanta-te. – Ordenou ele com voz de trovão
Ela obedeceu não se dando conta que a única pessoa envergonhada naquele quarto era ela e de nada tinha adiantado atirar-se para dentro dos lençóis na expectativa que ele não viesse.
À sua frente P. mantinha-se tenso como se de certa forma esperasse uma agressividade de A. que contudo nunca aconteceria. O volume nas suas calças de fato treino cinzentas era perfeitamente visível e ela segurando as lágrimas como pôde evitou olhar.
-Era isto que querias ver? Era isto que pretendias? – Gritou P. apontando para o volume nas calças.
-Eu…Eu só queria saber o que estavas a fazer! – Gemeu ela soluçando.
-Quantas vezes te disse que aquele escritório é meu e apenas meu!
-Várias. – Concordou já chorando.
-E no entanto tu não resististe!
P. não a deixou responder, aproximando-se dela, passando a mão na face dela. A. sentia a fúria dele naquele gesto tão pouco habitual no pai e arrependida por o ter irritado recomeçou a soluçar:
-Muito bem, se querias ver tudo, não te vou privar disso. Verás em exclusivo!
P. baixou as calças, a única peça de roupa que mantinha, exibindo o seu sexo erecto para logo de seguida passar a mão pela T-Shirt de A. que não reagiu, evitando olhar para o progenitor.
-Tira os shorts!
O membro erecto tremia de excitação na mão dele.ao mesmo tempo que ela exibia as calcinhas rosa. Sem proferir qualquer palavra P. apertou-lhe ligeiramente o seio esquerdo, substituindo no seu membro a sua mão pela mão dela. Orientando-lhe os movimentos que pretendia. Segundos depois largou o seio, agarrando-a pelos cabelos, sem contudo os puxar em demasia e forçou-a a contemplar o sexo com veias salientes prestes a explodir.
Com uma curta pausa, ele virou-a de costas, deitando-a de barriga para baixo na cama e após um curto gemido, ela sentiu algo quente a cair nas calcinhas. Não precisou contudo que lhe explicassem o que seria, nem soube por que razão o pai a poupara de tal visão, mas manteve-se imóvel, de olhos encharcados e os cotovelos enterrados no colchão, com vontade de desaparecer.
Sem acrescentar qualquer som à situação, o pai tirou-lhe com extremo cuidado as calcinhas e limitou-se a dizer:
-Quando voltares a ter a curiosidade, eu já tenho algo para te mostrar.
E saiu do quarto, num passo sereno sem emitir qualquer outra afirmação, deixando nela a certeza que tal jamais se repetiria.
Abrindo a porta de casa, A. congratulava-se de certa forma por ter sido a única vez que tinha presenciado na figura do pai, alguém que ela nunca conhecera e esperava ela nem voltaria a ver.
Sorridente A. entrou na sala, onde P. estava sentado e subitamente reconheceu a mesma face dura que vira nesse dia. Esforçou-se por se controlar temendo o regresso do pai mau. Caminhou vagarosamente até à sua presença , como que implorando que um Dejá vu desagradável voltasse e contemplou a chorar abundantemente as calcinhas de S. pousadas no sofá.

-Meu Deus ele voltou!

sábado, 8 de junho de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 6-revisão






"O mudo som da confusão mórbida que sufoca e provoca ao passar o Amor,
aquele sentimento gasto, de quem gastou o que não tinha e mantinha uma ilusão qualquer...

Crescer dói, mas cura, porque arde."

Inês Dunas: Antigo Testamento


O tempo morde a espera com laivos de fome e segreda aos meus ouvidos uma impetuosidade feroz, própria de um animal selvagem. O som do silêncio em certas circunstâncias é ensurdecedor e castiga numa cacofonia ensurdecedora afugentando qualquer faúlha do pensamento analítico. 
Do entusiasmo à decepção, da loucura à tristeza, da sensação de ser e me sentir especial, adulta e mulher ao penoso retorno da triste realidade. Sofro torturas mil enquanto o meu corpo jaz ao abandono inerte por apenas mais uma ordem, mais um chamamento. Como um animal abandonado à espera do chamamento do seu dono e de voltar a ser feliz.
Acreditara momentos antes ser alvo especial de objecto de desejo e de entrega, provara mesmo o suave toque da malícia em pontas de dedos experientes de quem, acreditava eu, me achara por alguma razão merecedora da sua atenção. Mas agora, tinha sido largada no meio de uma sala fria, sozinha e fragilizada. Talvez por isso tivesse mandado um S.M.S. a A. como uma forma de pedir ajuda ou então que acabasse com todo este suplício. Já não queria mais estar ali, ser uma marioneta nas mãos de quem puramente me desdenhava.
Deixei cair o Nokia no sofá e estranhamente permaneci no mesmo sítio em que ele me deixara, só me apercebendo disso aquando do seu regresso.
P. surgiu em passos tranquilos, sempre com o mesmo sorriso que agora me parecia plastificado e num timbre de voz desprovido de qualquer emoção, informou:
-Tudo pronto! Vamos ao banho?
-Vamos? – Indaguei do alto da minha posição estática.
-Forma de falar…- O olhar dele deteve-se no Nokia caído no sofá.
-Mandei uma mensagem a A. – Apressei-me a esclarecer.
Sem perder a postura ele avançou calmamente até ao sofá e subitamente sem qualquer motivo aparente eu começara a tremer. Passou por mim, desviando-se um pouco, baixou a mão apanhando o telemóvel sem proferir qualquer palavra, desbloqueou o aparelho, consultou a mensagem e com uma feição de rosto dura, indagou friamente:
-Para quê?
-Não sei…Passou-me pela cabeça. – Justifiquei pouco convencida do que dizia.
P. sorriu como os adultos se riem de qualquer parvoíce dita por uma criança e isso enervou-me bastante. No fundo o que aquele sorriso queria demonstrar era a minha infantilidade.
Naquele momento, ali em pé na sala fria tudo o que ambicionava era poder espetar um estalo naquela face repleta de uma autoridade árida e inflexível:
-Eu pensava que tu eras uma menina bem comportada! – Afirmou ele num timbre autoritário.
-Bem, talvez seja….
-Shiu! Não me interessa o que pensas.- Os dedos dele pousaram sob a minha boca, reafirmando a necessidade do meu silêncio.
Podia jurar que por momentos os olhos castanhos de P. brilharam com uma intensidade repentina e sem me deixar contrapor, ordenou:
-Despe-te!
“Vai á merda” pensei eu a queimar de raiva, a sentir o pulsar galopante do sangue a ferver nas minhas veias, com o coração a disparar batimentos próprios de um concerto Hard-Rock e os meus dedos instintivamente a fecharem-se tornando os meus punhos o aspecto de uma rocha.
Iria erguer o braço, arremessar com força o meu punho direito fechado, de forma a embater os nós dos dedos no seu queixo de barba rasa. Contudo, sem perceber como, abri as mãos e principiei a despir-me.
Enquanto as restantes peças de roupa caíam inertes aos meus pés, ele ia-me olhando com um ar estranho. Não de gozo, ou de prazer, mas de autoridade. O seu olhar era frio e contemplativo, um olhar que me trespassava como uma faca, abrindo feridas incuráveis no meu ego e na minha alma. Merda, porque obedecia eu a tal sujeito? Nem aos meus pais prestava semelhante vassalagem. Pois desde pequena que sempre fora habituada a contrapor, a contradizer e a vencer a teimosia deles pela exaustão da repetição de ordens sem sentido e aqui estava eu indefesa, sem capacidade de reacção, perante um pai, um adulto que me revoltava os sentidos, que me transmitia medo e calmaria tudo ao mesmo tempo.
Mantive contudo, por uma questão puramente de recato as cuecas e o sutiã e encarei-o com ar de desafio:
-Não disse para te despires? – Disparou ele assertivamente.
Sem o conseguir voltar a encarar, obedeci timidamente, livrando-me com especial demora da minha roupa interior. Segundos depois era um espantalho nu na sua frente, sem reacção, sem sorriso sem emoções. O frio desaparecera, a minha raiva subira em flecha e eu já não estava ali! Tinha voado mentalmente para outro sítio. Deixara na sua presença o meu corpo, como um invólucro sem vida, como uma estátua imperfeita. Ou então era um robot desprovido de raciocínio ou emoções, presente ano capricho de um botão ON/OFF.
Senti a sua mão fria no meu seio esquerdo, apertando-o, acariciando-o. Senti a boca dele, os seus lábios no meu mamilo. Beijava-o, mordia-o e tilintava-o com a língua. Arrepiei-me, e afastei-me instintivamente, olhando-o de lado:
-Não quero que te mexas! – Bradou ele friamente, voltando a virar o meu rosto para o outro lado.
Obedeci a tremer não de frio, ou de raiva mas de um sentimento estranho que não conhecia. O meu corpo era agora uma montanha russa de emoções e palpitações. Queria fugir dali, mas queria ficar ali, queria chorar, mas queria sorrir, queria gritar, mas permanecia calada. No fundo não sabia o que queria, desconhecendo por completo que há alturas em que realmente mais vale seguir a descoordenação do momento. Sermos ramo largado na correnteza de um rio. Sermos pólen esvoaçando ao vento em dias de ventania exagerada.
A mão dele estacionava sob o meu sexo, o cheiro da sua água-de-colónia voltou às minhas narinas e a proximidade da boca dele no meu ouvido teve o efeito de uma tremenda saraivada em dia de verão:
-Afasta as pernas! – Ordenou monocordicamente.
-Não. – Arrisquei eu armada em mulher.
-Não era um pedido. Era uma ordem.
O seu tom de voz não se alterara, mantinha o ar calmo, frio e ponderado mesmo num momento tão surreal quanto aquele. Imaginara de repente A. a chegar e a apanhar-me ali, nua submetida aos caprichos e vontades do pai dela. E foi então que num clique, Inebriada pela ideia, deixei a imaginação voar, para decididamente afastar as pernas:
-Sabes S., as nossas acções implicam sempre consequências. – Principiou ele como quem explica a uma criança as origens da vida- Boas ou más, sejam como as acções forem assim acarretam castigos ou recompensas. Não concordas?
Silenciada pelos meus receios de dizer algo que me arrependesse, mordi o lábio inferior e não concordei ou contradisse. Apenas fechei os olhos, sem um pensamento ou uma ideia.
-Agora por tua causa A. vai faltar às aulas e obrigando-me a ter de castigar também. Achas bem?
A mão dele desceu para a minha coxa direita, subindo e descendo, apertando-a firmemente, deslizando pelo joelho, contornando-o, sentindo-o.
A minha respiração ficara incerta, os arrepios voltaram e o desejo de o sentir crescia.
Inesperadamente fechei os olhos e deixei a palma da minha mão alisar o volume das suas calças, não resistindo a sorrir ao ver o seu estado de excitação.
Afinal ele não era indiferente a mim ou me menosprezava. Afinal eu não era só uma criança, mas uma mulher que pode seduzir.
Contente comigo mesma, encarei-o enquanto descia o fecho das suas calças e sem pedir autorização introduzi a mão, querendo sentir aquilo que se erguia para mim.
Aquele pedaço de carne duro e hirto, sob a minha mão parecia ganhar vida e prontamente deixei-o sair, expondo-o à minha vista:
-Ajoelha-te! – Ordenou ele a perder o timbre calmo
.
Pela primeira vez encarava com um pénis hirto na minha frente e devo-o confessar não era propriamente algo bonito. Contudo fixei-me na cabeça arredondada, de cor viva:
As mãos ágeis de P. pousaram sobre a minha cabeça:
-Abre a boca!
Renitentemente obedeci, recebendo-o na boca, com P. a marcar o ritmo, esforçando-me por evitar o contacto com os dentes. Chupava devagar mais concentrada na ponta rosa,
Ainda hoje não sei exactamente porque o fiz! Nunca tinha tido qualquer liberdade com alguém, não fazia a mínima ideia de como fazer um broche e havia jurado a pés juntos, em conversas de amigas, jamais o fazer.
Ele não esboçava qualquer gemido ou gunhido, o que me fazia concentrar cada vez mais na árdua missão de me equiparar a uma mulher treinada.
De joelhos eu escorria de desejo, numa fogueira imensa que me consumia o corpo. Esporadicamente P. corrigia a posição da minha mão, e da minha cabeça e repentinamente retirou o pénis da minha boca para segundos depois, receber os jactos de leite sobre a minha face.
Apanhada de surpresa nada disse, mantendo-me impávida e serena enquanto ele guardou o instrumento e apenas comentou:
-Ainda bem que banho está pronto!
Estendeu-me a mão e levou-me até ao WC como se eu fosse em procissão, com a cara maculada de pecado.