sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CUM OVER....



Aguardo que a quietude do silêncio caia sobre este lugar. Miro ansioso as teclas como que procurando o fio condutor de tudo aquilo que poderia dizer, em palavras únicas, regadas de prazer, com lânguidos suspiros de desejo. Aguardo no fundo o salvo-conduto para o Mundo, o meu Mundo onde me perco, onde me encontro, onde me entendo, onde me raciocino e sobretudo onde te desejo.
No silêncio dos sons, vou-te buscar no exacto momento em que o tempo pára, pétala a pétala, linha a linha, frase a frase, sonho a sonho. Abro a porta dos sonhos, e trago-te para o meu regaço, onde me sussurras ao ouvido, não com sons mas com suspiros, brisas de vento que me tocam, me rodeiam, me tacteiam no manto negro da noite  As palavras crescem devagar por entre as teclas,no meu martelar irregular no teclado, em ramos invisíveis e místicos, mas só depois do calor dos teus lábios e mãos invisíveis, me cercarem , me afagarem , e somos nós, unos e indivisíveis , sujeito e predicado, complemento do desejo, na gramática do entender, porque existem sombras que se vestem de nós e te revejo em qualquer canto.
A cadência clean do texto simples, com o teu perfume, a tua espectral presença desvia-me o sentido, acentua-me a pontuação e deixo os caracteres correrem livremente, como um pianista sem rédeas. O corpo sabe caminhos que a razão desconhece, levantando-se num querer fálico e eu deixo-o crescer, manifestar-se...Há dias em que nem sei se existes ou se fui eu que imaginei, que te criei. Personagem de um dos meus contos Então mentalmente projecto-te aqui,sentada de vermelho, gota de sangue da vida num fundo escuro da sala...Liberta-te, ordenas tu em pensamento, percepção extra-sensorial do meu querer, e eu solto-o, farol de todas as coisas nossas, letras amordaçadas e caracteres pouco nítidos na projecção do racional que se perdia. Seguro-o e olho-te espectadora de mim, as tuas pernas tinham necessidade de tocar uma na outra, os teus dedos procuravam aquele poço delicado onde se toma fôlego e preciso de me reler e te ler, beijar os cândidos espinhos que outrora protegeram rosas e recolher as pérolas ou procurar sabores novos....prazeres redobrados ....fala-me, diz-me....toca-te....escreve-te, imortaliza-te, imortaliza-me...mostra-me...
Somos espectadores silenciosos de nossos próprios desejos. A mente é um sítio estranho onde me despes, me olhas e te desejo. Não há regras, só volúpia, não há razão, só tesão, no gosto acre da conquista da liberdade de me expor For Your Eyes Only, ..Nu sem cheiro de perfume que me mascare, sem anel que me castre.
Páginas e páginas escritas, bolotas aos teus olhos transformadas em pérolas Universais. Aproximas-te silenciosamente, pedes só com o olhar para segurar nele....finalizar.
Evito...Tenho tanto para te dizer, para escrever...consentes, mostras-me a humidade dos teus (nossos) actos na ponta dos teus dedos, conduzes a minha boca à fonte eterna do teu prazer, onde brota o teu desejo em gemidos contidos....matas-me a sede e convidas-me a entrar...por favor magoa-me...peço perdão meu amor e só então finalizas...


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 11


"O corpo é cama de odores almiscarados,
caminho de dedos, de medos, de descobertas...
É piano de palavras, pauta de gemidos, batuta dos sons
disfarçados de promessas quentes segredadas nos ouvidos...
É toque de mãos intranquilas, ardentes, ansiosas,
nervosas que se encontram e se encaixam.."


Depois de praticamente ter sido raptada numa operação de charme de P, para um suposto jantar a três, deixando a minha mãe convicta de que estaria em boa companhia e livre de tarados, eis que ele estaciona tranquilamente o Ford cinzento diante de um hotel  de aspecto requintado bem no centro da cidade.
Obviamente que tinha consciência de que se podia jantar nos Hotéis mesmo não estando lá hospedado, mas por qualquer razão não me parecia que fosse esse o caso.
P tinha feito o percurso sem proferir qualquer palavra, à excepção de um "estás bem?". nem tão pouco fizera qualquer esforço para justificar a sua ausência durante todos aqueles dias. Ele limitava-se a conduzir, como se de certa forma tivesse a certeza de que eu sabia para onde me levava e a verdade é que eu não fazia a mínima ideia, mas também nada perguntara.
Dado que ele podia dar-se ao luxo de nada dizer eu entendi igualmente que ele não precisava de saber da existência de V nem tão pouco o colocar ao corrente de que desabafara com ela sobre nós. Há coisas que uma mulher deve reservar apenas para si, sobretudo se se tratar de um plano B qualquer.
Assim que saímos do carro, dirigiu-se ao porta-bagagens tirando uma mala e sem perder tempo estendeu-ma:
-Esta é a tua mala!
-Para que preciso de uma mala para jantar?
-Não precisas, mas eu quero que a leves.
-Porquê?
-Porque sim.
O tom de autoridade da sua voz, próprio de quem sabia o que fazia convenceu-me e surpreendeu-me que ao pegar na mala ela estivesse leve, como se estivesse vazia.Se por um lado era agradável transportar algo com pouco peso, por outro lado deixava-me intrigada e de certa forma ansiosa. Aliás, até esse momento todo o comportamento dele era dúbio, intrigante e misterioso e eu, na penumbra dos meus catorze anos estava deliciada com tudo aquilo. Adorava que ele se apresentasse assim, misterioso e charmoso. Adorava a sensação de não saber o que poderia esperar, de não imaginar o que quer que fosse que ele tivesse pensado ou preparado para mim. Nós miúdas amamos mistério!
Sem me dar qualquer explicação, segui-o até ao balcão do Hotel, onde levantou as chaves de um quarto e tranquilamente levou-me até ao elevador e daí até ao quarto.
A surpresa aconteceu segundos depois, quando após ter colocado as malas cuidadosamente na cama , sentou-se pesadamente na mesma e encarando-me com um rosto preocupado, solicitou:
-S preciso de ti!
-Como assim?- Perguntei nervosamente.
-Sabes que trabalho em multimédia. Isto é, sou dono de uma empresa de serviços multimédia e neste momento passo por algumas dificuldades.
-Sim e?
-Acontece que tinha uma encomenda importante para um video a pessoa que ia participar nesse video não pode estar presente.
-Não estou a ver o que...
-Por favor, deixa-me acabar. Como te disse é uma encomenda cuja contrapartida financeira é aliciante e estou em cima do prazo. Uma vez que já não posso contar com a minha modelo habitual, pensei em ti.
-Modelo... Modelo de quê?
Nunca tinha visto P tão abatido. Parecia que carregava um enorme peso sobre os ombros e até a voz habitualmente autoritária era agora de suplica.
-Entende, eu vendo o que me pedem. Faço o que posso por manter uma certa integridade, mas vivo de encomendas.
-Mas eu não tenho corpo de modelo.
Ele passou as mãos pelo cabelo, num gesto de desespero e respirando fundo, concluiu:
-Desculpa. Pensei que podia contar contigo mas compreendo agora que era pedir demais. Se a miúda com quem habitualmente trabalho não estivesse indisponível...Bom, acho que vou ter que sair e procurar alguém.
A  simples ideia dessa noite acabar prematuramente ali nesse momento colocou-me em choque. Havia esperado tantos dias para o voltar a ver e subitamente não poderia me dar ao luxo de voltar já para casa. por outro lado, se ele me levasse tão rapidamente a casa a  minha mãe iria com certeza achar que eu havia aprontado alguma e seguir-se-ia um questionário interminável e eu não estava com pachorra para essas merdas.
Encostei-me à parede e sem pensar atirei:
-Ok, ao certo que esperas que eu faça?
Metodicamente ele pegou na mala, abrindo-a sobre a cama e pegando no que parecia ser um fato qualquer em latex e entregou-me:
-Para já precisava que vestisses isto!
-Se me servir...
-Acredito que sirva.
Lancei um dos meus sorrisos irónicos:
-Queres que me vista aqui?
-Não. Usa a casa-de-banho, pois prefiro ver no fim. Chama-me quando estiveres pronta.
Encolhi os ombros. apertei a peça de roupa, como controlando certa raiva e num encolher de ombros preparei-me para a tarefa, não sem antes ouvir uma ultima ordem:
-Não uses roupa interior.
-Oh Deus! - Murmurei inquieta à medida que porta de W.C. se fechava.

domingo, 21 de julho de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 10


"A sobriedade porém não gosta de aventuras, mas ninguém é estupidamente sóbrio a este ponto...
Conto os dias que nos separam.."
Inês Dunas: http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/07/ode-aos-desamores-ridiculos.html


O mundo não acabara repentinamente nem a minha vida levara qualquer volta pelo simples facto de ter contado detalhadamente à minha melhor amiga o meu envolvimento com P. Pelo contrário, julgo mesmo que me  aliviara do desconforto da ausência de notícias dele.
Os dias passavam penosamente longos, entre aulas que nunca mais acabavam e discussões intermináveis com a minha mãe. No fundo, era um forte regresso à pura rotina dos meus dias, a um existir penoso onde nem sempre havia uma mísera nota de 5 euros no bolso para afogar os meus dilemas e dramas em gomas.
O ostracismo a que ele me lançara começava lentamente a penetrar nas falhas do meu escudo emocional e qual Ser com vida própria ameaçava causar estragos a todos os níveis.
A minha confiança descia vertiginosamente no ritmo dos ponteiros das horas e já nem a série Glee me fazia sorrir. Tendia, nestes últimos dias a aceitar a versão de V. de que tudo não tinha sido apenas um divertimento para P e que e facto não tinha qualquer importância para ele.
Resistira até então à vontade de me baldar às aulas e plantar-me à porta de sua casa, exigindo explicações, mas de certa forma, inconscientemente temia ser confrontada com o regresso da Senhora P e então não poderia mais voltar a sonhar. Lutara igualmente contra a vontade de aceder ao Skype e procurar sondar a minha amiga de infância e por sinal a filha de P sobre tudo o que ela me pudesse acrescentar sobre ele.
Pois, resistira a tudo isso e a verdade é que nada de interessante essa resistência me trouxe. Não houve prémio de bom comportamento ou recompensa para a minha paciência.
A verdade era fria e dura para mim. P cortara-me da sua vida ou de certa forma eu havia perdido o interesse para ele e este era um cenário que me transtornava de sobremaneira. Ninguém gosta de ser colocada a um canto, muito menos uma jovem de 14 anos que achava ser mulher.
O pior de tudo, era o recalcamento diário expresso no olhar de V sempre que estávamos juntas e o assunto vinha à baila. Era doloroso admitirmos que estávamos enganadas
Foi com surpresa quando ao descer as escadas do meu quarto, após ter tomado um demorado duche, ouvi a voz dele. O mesmo timbre pausado, monocórdico mas com repleta autoridade. Atarantada encostei-me à parede, como se tivesse levado um estalo com uma intensidade incalculável e tivesse de ter cuidados médicos. Subitamente o coração batia-me sem controle no peito, as pernas tremiam-me e não conseguia respirar. O que raio fazia ele ali? Como podia ele estar a falar com a minha mãe?
Os sons da conversa chegavam-me em espasmos incontroláveis, numa cacofonia que o meu cérebro não conseguia distinguir. Era como se eles estivessem a falar numa língua incompreensível e eu tivesse os ouvidos cheios de água.
Na verdade, para mim naquele momento, nada daquilo me fazia sentido. Ele não conhecia a minha mãe, a minha mãe não o conhecia e era assim que tudo deveria continuar....Ou será que se conheciam?
Bom, de qualquer forma ele não seria louco a abrir o jogo, pelo menos não com a minha mãe e veio-me à cabeça algo que V me dissera: "Se houver merda, lembra-te sempre que o pedófilo é ele. Faz-te de vítima!".
Ganhando coragem, sob esse ponto de vista desci as escadas, embora ainda controlando as pernas que ameaçavam ceder a qualquer instante.
Ao fundo das escadas, ao virar para a sala dei com o sorriso dele de frente. Tranquilamente sentado na cadeira que em tempos tinha sido ocupada pelo meu pai, tendo a minha mãe optado por se sentar no sofá perto dele, também ela me sorriu o que motivou logo o meu sorriso de escárnio:
-Fartei-me de te chamar! - Atirou ela calmamente.
-Sabes que tomo banho sempre com o rádio alto.
-Claro, tens essa mania de quereres ficar surda muito cedo.
-Não é mania, tu não percebes nada. - Ripostei sem tirar os olhos dele.
-Sabes quem é este senhor?
-Sei. - Respondi nervosamente.
-Ele veio te convidar para jantares com eles hoje.
-Eles? - retorqui sem pensar.
-A filha e a esposa claro.
-Ah....Claro!
-Espero que não leves a mal, mas a minha filha não tinha o teu número...- Ele resolveu entrar na conversa.
-Não tenho telemóvel.
-Ah não? Isso é raro nos dias de hoje.
-Oh eu não deixo. Sabe, os jovens de hoje têm a mania que são independentes, que são donos do seu nariz e há muitos perigos. Eu tento proteger S o máximo que posso.
-Perigos? - Sondou P com malícia.
-Absolutamente. Eu leio nos jornais sobre os perigos de internet e telemóveis.
-Treta. Ela não que que fale com o meu pai ás escondidas. - Provoquei num tom de escárnio.
-S, sabes bem que não é verdade...
-Mas o telemóvel pode ser importante se ela precisar de falar consigo.
-Comigo? - A minha mãe soltou um risinho trocista- Mais depressa pedia ajuda a um estranho que à própria mãe. Sabe ela está naquela fase...
-Oh compreendo! - mentiu ele.
-Certamente que passa pelo mesmo com a sua filha?
-Certamente que sim. - Respondeu com indiferença.
-Bom e posso ir jantar ou até isso estou proibida?
-S que ideia estás a dar a este senhor? Alguma vez te proibi de visitar amigas?
-Não.
-Vês!
-Porque vou sempre sem te pedir...
-Esse teu feitio! És igualzinha ao teu pai!
-Quem me dera...
-Se continuas com essa atitude minha menina, não vais a lado nenhum durante anos...
-Típico...
Antes que o ambiente fervesse ainda mais P ergueu-se rapidamente da cadeira  e sempre de sorriso firme , deu-me o braço enquanto se apressou a esclarecer a  minha mãe:
-Tenho mesmo de "raptar" a sua filha, pois já se está  a fazer tarde e temos gente à espera. Espero que de facto não se importe.
-Oh não. Até porque amanhã é Sábado e não há escola.
-Muito bem, eu prometo que a venho trazer cedo.
-Tudo bem...Eu deito-me sempre tarde.
Por uns segundos deu-me a impressão que a minha mãe estava a fazer olhinhos a P:
-Vamos ou não! - Explodi em fúria.
Antes que a minha mãe reagisse praticamente arrastei-o para fora de casa, desejosa de uma explicação para tudo aquilo. Assim que entramos no carro, ele sorriu abertamente:
-Não foi difícil.
-Onde vamos? - Inquiri ainda furiosa.
-Jantar.
-Ah não, nem em sonhos me vais levar a jantar com...
-Tontinha. Somos só os dois.
-Ah...
Repentinamente a minha vida voltara a fazer sentido!



Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 9







Há dias assim, em que o mundo cheira diferente
e a gente acha que tudo encaixa, até nós...
Num profundo estado embriagado absorvemos a vida,
felizes, inocentes, crentes..

Inês Dunas :This Thief
http://librisscriptaest.blogspot.pt/2013/06/thieve.html


Penso que de certa forma, todos nós temos amigos e conhecidos, pessoas que invariavelmente circulam à nossa volta, como planetas ao redor do sol. Tal como esses planetas, todos esses amigos e conhecidos são diferentes, uns mais frios, outros mais distantes, alguns mais interessantes que outros e de certa forma para muitos deles, sinto-me um sol, uma fonte luz. Não que seja particularmente uma expert em relações, longe disso aliás, mas a minha maneira de estar e ser, contrariamente ao que a minha mãe afirma, por vezes cativa.
Por outro lado, se sou geradora de luz e confiança, necessito igualmente de me recarregar, como uma bateria de telemóvel e é precisamente aí que entra a V.
Apesar de ser uma amizade recente, V era uma grande amiga, daquelas pachorrentas, sempre certinhas, sempre com um aviso sábio num sorriso aberto, sempre atenta e sempre disposta a perder cinco minutos para me ouvir. Nem sei ao certo como a nossa relação começou- O que sei é que como um Íman poderoso, ela me atraiu com o seu ar neutral, com a face serena que sempre irradia paz a quem a olha.
Pouco a pouco, foi coleccionando todas as minhas desventuras familiares, o meu drama com a separação dos meus pais, o meu desinteresse por tudo, sobretudo pelas aulas.
Para\além de ter o condão de me acalmar e aconselhar V era igualmente  a "mana" mais velha dois anos e com uma cultura brutal para a idade. Basicamente ela sabia um pouco de tudo, uma espécie de enciclopédia ambulante e não, não era uma caixa de óculos armada em sabichona. Aliás, só descobri que afinal V era humana e mortal, quando chumbou a matemática e de certa forma, por uma vez senti-me bem a saber que também ela podia chumbar nos mesmos testes que eu. V Era loira, do mais louro que vi, bastante alta e sardenta. Para além do mais, tinha uns olhos pretos muito redondos, muito abertos, que motivava a alcunha de "Lady Fish". Sim, a escola era um sítio terrível para quem era diferente.
Mas ela não se ralava muito com isso, penso inclusivamente que até achava piada à alcunha, seja como for eu estava com um enorme dilema e nesta idade, apesar de não haver teorias cientificas que o comprovassem, sabia de fonte segura que os dilemas poderiam criar AVC`S em jovens (tinha visto algo do género num canal por cabo).
Poderia eu contar a minha nova aventura a ela? Poderia eu abrir-me ainda mais, com quem até então partilhara tudo da minha vida? Nós miúdas, precisamos de ter os nossos segredos, mas se há algo que aprendi é que convêm ter alguém por perto que saiba do que se passa, no caso de dar merda.
Durante dois dias em que não vi, ou tive notícias de P matutei neste dilema. Precisaria de V, ou simplesmente esconderia dela também este segredo?
Mas, se eu escondesse dela a minha relação (porque realmente achava,na minha inocência que era isso que eu tinha com ele), não estaria a admitir, embora inadvertidamente que a nossa relação não era tão natural assim e que na verdade, ser a gaja de P. era mais uma vergonha que uma virtude cantada e exaltada aos quatro ventos?
Ser uma jovem liberal, neste Mundo cinzento era de facto o cabo dos trabalhos. Decididamente teria que contar a ela e logo veria a sua reacção. Pois a verdade é que estes últimos dias tinham sido diferentes, tinham sido uma lufada de ar fresco e de certa forma tinha-me esquecido completamente do drama da separação dos meus pais. Até dava por mim muito mais interessada no que vestia, e na escola. Repentinamente a escola não me parecia tão infernal assim.
Decidi avançar, afinal V era a minha melhor amiga e se tudo corresse como esperava, iria ser igualmente útil para mim desabafar e falar de P. com alguém e ela era de facto a pessoa ideal. Teria contudo de ter algum cuidado na abordagem do assunto, pois se algo a minha amiga tinha era um cinismo apurado e regra geral, um ódio de morte por relações amorosas, ( nunca me contou o porquê, mas parto do principio que tal se deve a ter tido algum desgosto).
O plano foi orquestrado mentalmente na aula de físico-química nessa manhã e calculado ao pormenor. Só havia uma oportunidade para estar tranquilamente com ela e teria de ser na cantina à hora de almoço, pois tanto eu como ela éramos as duas únicas almas impedidas de sair da escola para comer algo nos cafés circundantes, visto tanto a minha mãe como a dela serem autênticas lunáticas que calculam existirem tarados e psicopatas assassínos em todas as esquinas , mas que fique bem claro que nós demos luta e ainda damos nesta questão, embora saibamos de antemão que tal questão só ficará resolvida com a maioridade, a menos que...Bem isso serão outras lutas.
O facto é que o impedimento de sairmos funcionava como uma causa aliada e era sempre mais fácil ter os ouvidos dela despertos na raiva imensa de se sentir prisioneira.
Cuidadosamente encenei a minha actuação, evitando frases feitas ou o espalhafato de Teen histérica, ( tudo coisas que ela odiava).
Mordiscando uma sandes com pasta de atum, atirei:
-Pstt, tenho News para ti.
-Então?
-Algo bastante recente...
-Drama caseiro? - inquiriu franzindo o sobrolho, o que alargava ainda mais o olho.
-Népia. Tudo na mesma lá por casa.
-Então?
-Conheci um sujeito...
-Continua. - Ela esboçou um sorriso rasgado.
-Bem foi repentino, praticamente foi do nada e ....bem foi uma cena marada.
-Conta-me!
-Foi há alguns dias...Lembras-te que faltei as aulas de manhã?
-Sim,mas disseste que estiveste de cama com gripe.
-Não. Inventei isso, desculpa.
O sorriso dela apagou-se repentinamente do rosto, pois odiava que lhe mentissem e pior ainda que eu lhe mentisse, mas estava disposta a ser o mais sincera com ela agora:
-Não podia te contar a verdade, não estava preparada para o fazer.
-Preparada? O facto de teres um namorado novo é assim tão grave que precises de te preparar? - O tom de voz dela subiu ligeiramente.
-Mais ou menos.
-Ok, conta-me tudo agora. - Disparou ela após uns minutos de silêncio.
Contei-lhe o que se passara, a minha entrada no carro, a nossa ida a sua casa e não omiti qualquer parte do que me lembrava que se tinha passado na casa. V estava visivelmente incomodada e algo transtornada.levou alguns longos minutos até conseguir digerir todo o diálogo:
-Em suma, que idade ele tem?
-Não faço ideia.
-Idade para ser teu pai?
-Sim, creio que sim.
-Merda. Deve ser um tarado. Em que merda te foste meter?
-Não é tarado, eu conheço-o.
-Mesmo assim, a diferença de idade...
-Não me fales em diferenças de idade. Eu vejo isso pelo meu pai e a outra lambisgóia
-Mas é diferente.
-Porquê?
-Porque és menor. Foda-se S tens apenas 14.
-Um número apenas. Não és tu que dizes sempre que a idade é apenas um pretexto da sociedade para nos condicionar?
-Sim, mas não nesses assuntos.
-Mana, não há assuntos assim ou assado. Eu amo-o e ele ama-me. Podes viver com isso?
-S. só tenho receio que possas estar a ser vítima de um tarado.
-Pareces a minha mãe!
-Olha, eu curto-te muito, a sério que sim. Mas por favor, não me peças para entender isso tudo.
-Terás que o conhecer.
-Ok, se isso te faz feliz.
A crispação e o nervosismo tomaram, como eu esperava um enorme espaço entre nós, mas eu acreditava que assim que ela conhecesse P iria entender que ele era genuíno.
O que não poderia saber é que V que era a minha melhor amiga iria ser puxada por mim, para a merda.


domingo, 16 de junho de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 7-Revisão





Há uma mágoa que me atravessa como água,
preenchendo os espaços todos...
Não quero passar por aquilo outra vez,
mas talvez o sofrimento se queira passear por mim...

Inês Dunas: A Fábula da Bela Adormecida e da Cobra

A. guardou cuidadosamente o telemóvel no bolso direito do casaco e sem pensar duas vezes, acelerou o passo para o exterior do recinto da escola. A chuva abrandara e a mensagem que recebera de S. tivera o condão extra de a desassossegar.
Por um lado ficara aliviada por saber que a sua amiga estava bem, ou pelo menos a ser acompanhada pela experiência médica do seu pai, mas por outro lado o saber que ela estava em casa com o pai, os dois sozinhos não lhe caíra bem.
Claro que ela amava o pai e depois da morte da mãe, quando ela ainda tinha dois anos de idade, a única pessoa com quem podia contar era de facto o pai. A ele, de certa forma lhe deve os primeiros passos, os primeiros sonhos, as primeiras palavras, os primeiros sorrisos rasgados. Não negava que P. sempre tinha estado presente, sempre se mostrara realmente interessado em quem ela era e no que ela queria e sempre lhe dera o apoio que qualquer criança na fronteira da adolescência necessitava. Na verdade, de todos os pais do mundo que lhe poderiam ter calhado, jamais alguém seria assim tão perfeito aos seus olhos como P.
Mas depois havia o outro lado, aquela parte desconhecida do pai. Como se de um outro Ser se tratasse. Como se no fundo, o homem fosse uma balança com dois pratos de atitudes diferentes e teria que gerir o claro e o obscuro com mestria. Às vezes, concluiu ela a entrar para o metropolitano, os dois pratos, as duas metades reagem de forma diferente, criando um desnível que de certa forma permita que o pior de nós se revele. E se esse desnível suceder que aconteça apenas na intimidade de um lar, entre os dois, de forma a evitar julgamentos de valor de outros.
Isso recordava-lhe um certo dia, há bem pouco tempo atrás. Não sabia ao certo como seriam os outros pais, mas sabia que quando se ia deitar e nos dias em que P. estava de folga, ele se entregava aos seus demónios, na companhia de vários copos de Whiskey, perdido no seu escritório, sentado á frente do monitor LG.
O escritório que ele montara em casa, não era um consultório, nem uma extensão da sua actividade profissional. Era, concluiu A. enquanto subia as escadas da estação de Metro em direcção ao exterior, o seu refúgio, o abrigo do seu lado negro. No fundo, a expiação dos seus pecados mais secretos. Era igualmente a única divisão de casa vedada qualquer pessoa, ela incluída. Algo que de início ela não entendia, bem como não compreendia o porquê não só de ele fechar sempre a porta à chave quando saía, bem como só se fechar lá dentro após ela ir para o quarto. Poderia ele assumir que o seu “turno” de pai tinha terminado ou seria algo mais egoísta, algo de diferente que ele jamais pudesse partilhar.
Ora durante algum tempo aquela divisão exercera nela o secreto fascínio de algo que tinha de ser explorado e um dia a curiosidade foi a sua conselheira. A recordava-se perfeitamente desse momento, numa quente noite de Julho quando após se despedir de P. e supostamente se deitar, aguardou até que ele se fechasse no escritório, para então pé ante pé caminhar até à porta da divisão, ajoelhar-se e esperançada de que o pai cumprisse a rotina e retirasse a chave para o bolso, espreitar pela fechadura de modo a poder descortinar algo de concreto.
Era um tiro no escuro, dado a secretária não estar na direcção da porta, mas era a única coisa que lhe restava naquele momento de modo a saciar a curiosidade e nesta idade a curiosidade era algo que tinha de ser satisfeita, sem qualquer remorso ou receio.
Nesse dia e para surpresa sua, tudo correra de feição, no seu plano de improviso. Por qualquer razão, os astros alinharam-se favoravelmente às suas pretensões e os seus pequenos olhos cinzentos tragaram de uma vez as imagens que lhes chegavam em bruto pelo buraco da fechadura. Sorveu-as como pode, evitando perder qualquer segundo. Concentração, foco e ansiedade no pêndulo dos minutos que permaneciam imutáveis no tempo, congelados na rotação eterna do planeta. De joelhos e só de short e T-Shirt ela assistiu a uma cena que jamais esqueceria. A um espectáculo minimalista e que de certa forma a marcara na sua tenra idade.
O pai encontrava-se em pé, diante da porta, mas virado de lado, agindo como se mais alguém estivesse presente, o que ela sabia ser impossível. O campo da visão de A. do ponto onde se encontrava incidia exactamente sobre as calças de fato treino a baixarem revelando um mastro hirto e a mão dele segurando-o.
Ela sabia que as calças eram a indumentária favorita do pai, nos serões nocturnos, sobretudo quando este estava de folga. Sabia igualmente que ele as evitava usar na sua presença e agora ao ver o estranho ritual do progenitor percebia tudo.
Ajoelhada com as palmas das mãos coladas à porta, atenta ao que observava pela fechadura, na ânsia de não perder pitada, cometeu um erro básico próprio da excitação do momento. O seu pé escorregou levemente, fazendo-a desequilibra-se e embater com a testa na porta, alertando o progenitor que percebeu que não estava sozinho.
Com um arrepio, mas não propriamente de frio, A. entrou para o elevador enquanto tinha presente o som do pai a abrir a porta, ela a retirar-se para o quarto em passo desgovernado, com o coração aos saltos no seu peito, como se no fundo tivesse esperado que o pai não reagisse.
Mas o pai reagiu e de uma forma que a espantou, avançando pelo pequeno corredor, ajustando as calças, a ferver de raiva e não de vergonha e a entrar de rompante no quarto:
-Levanta-te. – Ordenou ele com voz de trovão
Ela obedeceu não se dando conta que a única pessoa envergonhada naquele quarto era ela e de nada tinha adiantado atirar-se para dentro dos lençóis na expectativa que ele não viesse.
À sua frente P. mantinha-se tenso como se de certa forma esperasse uma agressividade de A. que contudo nunca aconteceria. O volume nas suas calças de fato treino cinzentas era perfeitamente visível e ela segurando as lágrimas como pôde evitou olhar.
-Era isto que querias ver? Era isto que pretendias? – Gritou P. apontando para o volume nas calças.
-Eu…Eu só queria saber o que estavas a fazer! – Gemeu ela soluçando.
-Quantas vezes te disse que aquele escritório é meu e apenas meu!
-Várias. – Concordou já chorando.
-E no entanto tu não resististe!
P. não a deixou responder, aproximando-se dela, passando a mão na face dela. A. sentia a fúria dele naquele gesto tão pouco habitual no pai e arrependida por o ter irritado recomeçou a soluçar:
-Muito bem, se querias ver tudo, não te vou privar disso. Verás em exclusivo!
P. baixou as calças, a única peça de roupa que mantinha, exibindo o seu sexo erecto para logo de seguida passar a mão pela T-Shirt de A. que não reagiu, evitando olhar para o progenitor.
-Tira os shorts!
O membro erecto tremia de excitação na mão dele.ao mesmo tempo que ela exibia as calcinhas rosa. Sem proferir qualquer palavra P. apertou-lhe ligeiramente o seio esquerdo, substituindo no seu membro a sua mão pela mão dela. Orientando-lhe os movimentos que pretendia. Segundos depois largou o seio, agarrando-a pelos cabelos, sem contudo os puxar em demasia e forçou-a a contemplar o sexo com veias salientes prestes a explodir.
Com uma curta pausa, ele virou-a de costas, deitando-a de barriga para baixo na cama e após um curto gemido, ela sentiu algo quente a cair nas calcinhas. Não precisou contudo que lhe explicassem o que seria, nem soube por que razão o pai a poupara de tal visão, mas manteve-se imóvel, de olhos encharcados e os cotovelos enterrados no colchão, com vontade de desaparecer.
Sem acrescentar qualquer som à situação, o pai tirou-lhe com extremo cuidado as calcinhas e limitou-se a dizer:
-Quando voltares a ter a curiosidade, eu já tenho algo para te mostrar.
E saiu do quarto, num passo sereno sem emitir qualquer outra afirmação, deixando nela a certeza que tal jamais se repetiria.
Abrindo a porta de casa, A. congratulava-se de certa forma por ter sido a única vez que tinha presenciado na figura do pai, alguém que ela nunca conhecera e esperava ela nem voltaria a ver.
Sorridente A. entrou na sala, onde P. estava sentado e subitamente reconheceu a mesma face dura que vira nesse dia. Esforçou-se por se controlar temendo o regresso do pai mau. Caminhou vagarosamente até à sua presença , como que implorando que um Dejá vu desagradável voltasse e contemplou a chorar abundantemente as calcinhas de S. pousadas no sofá.

-Meu Deus ele voltou!

sábado, 8 de junho de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 6-revisão






"O mudo som da confusão mórbida que sufoca e provoca ao passar o Amor,
aquele sentimento gasto, de quem gastou o que não tinha e mantinha uma ilusão qualquer...

Crescer dói, mas cura, porque arde."

Inês Dunas: Antigo Testamento


O tempo morde a espera com laivos de fome e segreda aos meus ouvidos uma impetuosidade feroz, própria de um animal selvagem. O som do silêncio em certas circunstâncias é ensurdecedor e castiga numa cacofonia ensurdecedora afugentando qualquer faúlha do pensamento analítico. 
Do entusiasmo à decepção, da loucura à tristeza, da sensação de ser e me sentir especial, adulta e mulher ao penoso retorno da triste realidade. Sofro torturas mil enquanto o meu corpo jaz ao abandono inerte por apenas mais uma ordem, mais um chamamento. Como um animal abandonado à espera do chamamento do seu dono e de voltar a ser feliz.
Acreditara momentos antes ser alvo especial de objecto de desejo e de entrega, provara mesmo o suave toque da malícia em pontas de dedos experientes de quem, acreditava eu, me achara por alguma razão merecedora da sua atenção. Mas agora, tinha sido largada no meio de uma sala fria, sozinha e fragilizada. Talvez por isso tivesse mandado um S.M.S. a A. como uma forma de pedir ajuda ou então que acabasse com todo este suplício. Já não queria mais estar ali, ser uma marioneta nas mãos de quem puramente me desdenhava.
Deixei cair o Nokia no sofá e estranhamente permaneci no mesmo sítio em que ele me deixara, só me apercebendo disso aquando do seu regresso.
P. surgiu em passos tranquilos, sempre com o mesmo sorriso que agora me parecia plastificado e num timbre de voz desprovido de qualquer emoção, informou:
-Tudo pronto! Vamos ao banho?
-Vamos? – Indaguei do alto da minha posição estática.
-Forma de falar…- O olhar dele deteve-se no Nokia caído no sofá.
-Mandei uma mensagem a A. – Apressei-me a esclarecer.
Sem perder a postura ele avançou calmamente até ao sofá e subitamente sem qualquer motivo aparente eu começara a tremer. Passou por mim, desviando-se um pouco, baixou a mão apanhando o telemóvel sem proferir qualquer palavra, desbloqueou o aparelho, consultou a mensagem e com uma feição de rosto dura, indagou friamente:
-Para quê?
-Não sei…Passou-me pela cabeça. – Justifiquei pouco convencida do que dizia.
P. sorriu como os adultos se riem de qualquer parvoíce dita por uma criança e isso enervou-me bastante. No fundo o que aquele sorriso queria demonstrar era a minha infantilidade.
Naquele momento, ali em pé na sala fria tudo o que ambicionava era poder espetar um estalo naquela face repleta de uma autoridade árida e inflexível:
-Eu pensava que tu eras uma menina bem comportada! – Afirmou ele num timbre autoritário.
-Bem, talvez seja….
-Shiu! Não me interessa o que pensas.- Os dedos dele pousaram sob a minha boca, reafirmando a necessidade do meu silêncio.
Podia jurar que por momentos os olhos castanhos de P. brilharam com uma intensidade repentina e sem me deixar contrapor, ordenou:
-Despe-te!
“Vai á merda” pensei eu a queimar de raiva, a sentir o pulsar galopante do sangue a ferver nas minhas veias, com o coração a disparar batimentos próprios de um concerto Hard-Rock e os meus dedos instintivamente a fecharem-se tornando os meus punhos o aspecto de uma rocha.
Iria erguer o braço, arremessar com força o meu punho direito fechado, de forma a embater os nós dos dedos no seu queixo de barba rasa. Contudo, sem perceber como, abri as mãos e principiei a despir-me.
Enquanto as restantes peças de roupa caíam inertes aos meus pés, ele ia-me olhando com um ar estranho. Não de gozo, ou de prazer, mas de autoridade. O seu olhar era frio e contemplativo, um olhar que me trespassava como uma faca, abrindo feridas incuráveis no meu ego e na minha alma. Merda, porque obedecia eu a tal sujeito? Nem aos meus pais prestava semelhante vassalagem. Pois desde pequena que sempre fora habituada a contrapor, a contradizer e a vencer a teimosia deles pela exaustão da repetição de ordens sem sentido e aqui estava eu indefesa, sem capacidade de reacção, perante um pai, um adulto que me revoltava os sentidos, que me transmitia medo e calmaria tudo ao mesmo tempo.
Mantive contudo, por uma questão puramente de recato as cuecas e o sutiã e encarei-o com ar de desafio:
-Não disse para te despires? – Disparou ele assertivamente.
Sem o conseguir voltar a encarar, obedeci timidamente, livrando-me com especial demora da minha roupa interior. Segundos depois era um espantalho nu na sua frente, sem reacção, sem sorriso sem emoções. O frio desaparecera, a minha raiva subira em flecha e eu já não estava ali! Tinha voado mentalmente para outro sítio. Deixara na sua presença o meu corpo, como um invólucro sem vida, como uma estátua imperfeita. Ou então era um robot desprovido de raciocínio ou emoções, presente ano capricho de um botão ON/OFF.
Senti a sua mão fria no meu seio esquerdo, apertando-o, acariciando-o. Senti a boca dele, os seus lábios no meu mamilo. Beijava-o, mordia-o e tilintava-o com a língua. Arrepiei-me, e afastei-me instintivamente, olhando-o de lado:
-Não quero que te mexas! – Bradou ele friamente, voltando a virar o meu rosto para o outro lado.
Obedeci a tremer não de frio, ou de raiva mas de um sentimento estranho que não conhecia. O meu corpo era agora uma montanha russa de emoções e palpitações. Queria fugir dali, mas queria ficar ali, queria chorar, mas queria sorrir, queria gritar, mas permanecia calada. No fundo não sabia o que queria, desconhecendo por completo que há alturas em que realmente mais vale seguir a descoordenação do momento. Sermos ramo largado na correnteza de um rio. Sermos pólen esvoaçando ao vento em dias de ventania exagerada.
A mão dele estacionava sob o meu sexo, o cheiro da sua água-de-colónia voltou às minhas narinas e a proximidade da boca dele no meu ouvido teve o efeito de uma tremenda saraivada em dia de verão:
-Afasta as pernas! – Ordenou monocordicamente.
-Não. – Arrisquei eu armada em mulher.
-Não era um pedido. Era uma ordem.
O seu tom de voz não se alterara, mantinha o ar calmo, frio e ponderado mesmo num momento tão surreal quanto aquele. Imaginara de repente A. a chegar e a apanhar-me ali, nua submetida aos caprichos e vontades do pai dela. E foi então que num clique, Inebriada pela ideia, deixei a imaginação voar, para decididamente afastar as pernas:
-Sabes S., as nossas acções implicam sempre consequências. – Principiou ele como quem explica a uma criança as origens da vida- Boas ou más, sejam como as acções forem assim acarretam castigos ou recompensas. Não concordas?
Silenciada pelos meus receios de dizer algo que me arrependesse, mordi o lábio inferior e não concordei ou contradisse. Apenas fechei os olhos, sem um pensamento ou uma ideia.
-Agora por tua causa A. vai faltar às aulas e obrigando-me a ter de castigar também. Achas bem?
A mão dele desceu para a minha coxa direita, subindo e descendo, apertando-a firmemente, deslizando pelo joelho, contornando-o, sentindo-o.
A minha respiração ficara incerta, os arrepios voltaram e o desejo de o sentir crescia.
Inesperadamente fechei os olhos e deixei a palma da minha mão alisar o volume das suas calças, não resistindo a sorrir ao ver o seu estado de excitação.
Afinal ele não era indiferente a mim ou me menosprezava. Afinal eu não era só uma criança, mas uma mulher que pode seduzir.
Contente comigo mesma, encarei-o enquanto descia o fecho das suas calças e sem pedir autorização introduzi a mão, querendo sentir aquilo que se erguia para mim.
Aquele pedaço de carne duro e hirto, sob a minha mão parecia ganhar vida e prontamente deixei-o sair, expondo-o à minha vista:
-Ajoelha-te! – Ordenou ele a perder o timbre calmo
.
Pela primeira vez encarava com um pénis hirto na minha frente e devo-o confessar não era propriamente algo bonito. Contudo fixei-me na cabeça arredondada, de cor viva:
As mãos ágeis de P. pousaram sobre a minha cabeça:
-Abre a boca!
Renitentemente obedeci, recebendo-o na boca, com P. a marcar o ritmo, esforçando-me por evitar o contacto com os dentes. Chupava devagar mais concentrada na ponta rosa,
Ainda hoje não sei exactamente porque o fiz! Nunca tinha tido qualquer liberdade com alguém, não fazia a mínima ideia de como fazer um broche e havia jurado a pés juntos, em conversas de amigas, jamais o fazer.
Ele não esboçava qualquer gemido ou gunhido, o que me fazia concentrar cada vez mais na árdua missão de me equiparar a uma mulher treinada.
De joelhos eu escorria de desejo, numa fogueira imensa que me consumia o corpo. Esporadicamente P. corrigia a posição da minha mão, e da minha cabeça e repentinamente retirou o pénis da minha boca para segundos depois, receber os jactos de leite sobre a minha face.
Apanhada de surpresa nada disse, mantendo-me impávida e serena enquanto ele guardou o instrumento e apenas comentou:
-Ainda bem que banho está pronto!
Estendeu-me a mão e levou-me até ao WC como se eu fosse em procissão, com a cara maculada de pecado.




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 5-Revisão




Pudesse eu despir o perfume dos espinhos das rosas,
que me vincam o corpo morto de carinhos violentos...
Pudesse eu sangrar-me e destroçar-me e desamar-me,
para desamar-te..



Tinha calcado com toda a inocência e ingenuidade do meu ser, a fina linha do não-retorno. Aquela marca invisível, que após a ultrapassar nunca poderia voltar atrás. Fiz dessa linha a minha corda bamba, num equilíbrio penoso entre a racionalidade e a efervescência própria de quem sonha abraçar o Mundo. Há decisões que têm de ser tomadas, grandes pensamentos que necessitam de ser feitos e há a estupidez própria dos meus catorze anos, onde achamos que as decisões ou actos podem ser livremente tomados, sem qualquer consequência, como se de uma birra se tratasse.
As consequências são sempre alheias ao nosso espírito e já não há rede que nos segure de um tombo sórdido, motivado por um acto inconsciente, por vezes cometido num insano momento. Era uma espécie de queda livre onde não temos tempo para pensar ou reflectir. Saltamos de cabeça, de olhos fechados, esperando que no esticar da corda, fiquemos seguros, nem que seja pelos pés.
Recebia com extrema loucura o toque ágil dos dois dedos de P. no meu sexo, tocando, alisando, introduzindo a ponta do polegar, trocando com o indicador, sem dizer uma palavra, sem me olhar nos olhos, só focado na minha concha que se molhava cada vez mais nos seus dedos. Volta e meia segurava o meu clitóris entre o indicador e polegar, apertando-o com alguma força, forçando-me a gemer, a gritar e a gemer vezes sem conta.
Desistira de olhar o que ele fazia, adoptando a mesma técnica que usava no dentista. Fechava os olhos, atirava a cabeça para trás e deixava-me ir. Não por receio, ou por falta de coragem, mas porque no fundo a dor me extasiava. Desde pequena que fazia os possíveis para sentir a mão do meu pai em mim, não sei porquê dado que era raríssimo ele me bater, mas ansiava castigo.
E castigo era o que sofria agora, em espasmos sucessivos às mãos daquele que não só era pai da minha melhor amiga, bem como tinha idade para ser meu pai.
Não posso precisar ao certo quanto tempo demorou tal acto, mas posso assegurar que o gozo era contante. O meu regaço era por esta altura um dilúvio de espasmos e contracções, os meus gemidos ecoavam solenemente audíveis na sala e as minhas unhas cravadas com força no sofá, eram a prova viva do meu desnorte.
Ambicionava que de certa forma aquela tortura cessasse e que ele me tomasse ali, que me fizesse sua. Calculava pelo que me tinham dito, que seria doloroso, que haveria sangue e que gritaria de dor….Podia até ser. Mas neste momento era o que mais queria.
Como um cirurgião, P. operava milagres o caudal imenso de prazer em que o meu sexo se tornava e entre laivos de suspiros alongados e gemidos sibilantes de desejo, procurava com a minha mão apalpar o seu membro. Queria senti-lo naquelas calças, eu que nunca tinha visto um membro duro, implorava agora por o ter à minha disposição, mas ele mantinha-se demasiado afastado.
Convém igualmente acrescentar, que em nenhum momento antes fora forçada a algo ou seduzida por ele. Por incrível que possa parecer, a loucura e responsabilidade haviam sido toda da minha parte.
Mas agora era todo um Universo proibitivo de sensações que sucedia naquele enorme sofá. Havia contudo um Mundo lá fora a girar, na roda natural de um tempo concreto, ditado pelos ponteiros do relógio. Um Mundo de rotinas, de obrigações, de trabalho, de algum divertimento, de tristezas, de alegrias,de premissas imutáveis, de vontades existentes, em suma um Mundo de Gente.
Mas por umas horas, esse deixara de ser o meu Mundo. Deixara o planeta Terra e levitara com a mente, para uma pequena parte da Galáxia, onde só eu e P. Existíamos, onde só havia prazer, por mim demonstrado na forma abnegada com que me entregava ao prazer dos seus gestos rápidos mas firmes na minha vagina. Irónico, pensava eu, como os sentimentos podem ser distorcidos num simples capricho!
Na loucura do desejo, inebriada pelos múltiplos orgasmos, atirei quase sem voz:
-Obrigada!
Subitamente parou e pela primeira vez desde que afastara as calcinhas e o convidara a tocar-me ele fixou o olhar no meu, sorriu abertamente e levou os dedos à minha boca.
Por instinto, abri a boca, recebendo a ponta dos dois dedos, não hesitando a tocar-lhes com a língua, a chupá-los com entusiasmo.
Agi basicamente por impulso, ciente da minha nula experiência, mas talvez tenha deduzido que era esse o gesto por ele pretendido.
Contudo, ele nada disse nem sequer reagiu. Levantou-se demoradamente evitando olhar para mim, esfregou ponta dos dedos nas calças de sarja e concluiu:
-Creio que ainda não estás pronta.
-Pronta para quê? – Indaguei desconsolada.
-Ainda precisas de trabalho…
Olhei-o com uma raiva contida, De início deu-me vontade de o insultar. Senti o palpitar do sangue a ferver-me nas veias e recordo-me que na altura fiz um enorme esforço para manter o meu autocontrole. Demoradamente, como se ousasse o enfrentar juntei as pernas e sem deixar de o encarar, pois percebi que ele me tratava como uma criança. Eu que aspirava a ser mulher às mãos dele e afinal ele limitava-se a ridicularizar-me:
-Não percebo que…
P. interrompeu-me colocando a mão na minha boca e com voz grave, ordenou:
-Levanta-te!
Obedeci, apesar de por dentro ferver. Ele passou-me a mão pelo cabelo, descaiu-a pelas costas e deu-me uma palmada na nádega. Contive-me, não me mexi apesar de segurar com certa força a vontade de o insultar:
-Muito obediente, sim senhora. Gostava que A. também fosse assim. – Depois mudando de tom de voz continuou- Vou preparar o teu banho. Já te chamo!
Assim que saiu, apanhei as calças, tirei o Nókia e mandei uma SMS a A.:
-Olá.
-Estás bem? – Teclou ela rapidamente.
-Sim. Estou em tua casa. O teu pai já tratou de mim.
Bem, tratar talvez fosse um termo apropriado mas não com a intenção com que tinha teclado.
-Vou já para aí!
E de repente estava na sala de estar vazia, parcialmente nua, com os mamilos doridos de desejo e os olhos cobertos de lágrimas de indiferença.
-Sou tão parva! – Conclui para a televisão desligada.