segunda-feira, 27 de maio de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 5-Revisão




Pudesse eu despir o perfume dos espinhos das rosas,
que me vincam o corpo morto de carinhos violentos...
Pudesse eu sangrar-me e destroçar-me e desamar-me,
para desamar-te..



Tinha calcado com toda a inocência e ingenuidade do meu ser, a fina linha do não-retorno. Aquela marca invisível, que após a ultrapassar nunca poderia voltar atrás. Fiz dessa linha a minha corda bamba, num equilíbrio penoso entre a racionalidade e a efervescência própria de quem sonha abraçar o Mundo. Há decisões que têm de ser tomadas, grandes pensamentos que necessitam de ser feitos e há a estupidez própria dos meus catorze anos, onde achamos que as decisões ou actos podem ser livremente tomados, sem qualquer consequência, como se de uma birra se tratasse.
As consequências são sempre alheias ao nosso espírito e já não há rede que nos segure de um tombo sórdido, motivado por um acto inconsciente, por vezes cometido num insano momento. Era uma espécie de queda livre onde não temos tempo para pensar ou reflectir. Saltamos de cabeça, de olhos fechados, esperando que no esticar da corda, fiquemos seguros, nem que seja pelos pés.
Recebia com extrema loucura o toque ágil dos dois dedos de P. no meu sexo, tocando, alisando, introduzindo a ponta do polegar, trocando com o indicador, sem dizer uma palavra, sem me olhar nos olhos, só focado na minha concha que se molhava cada vez mais nos seus dedos. Volta e meia segurava o meu clitóris entre o indicador e polegar, apertando-o com alguma força, forçando-me a gemer, a gritar e a gemer vezes sem conta.
Desistira de olhar o que ele fazia, adoptando a mesma técnica que usava no dentista. Fechava os olhos, atirava a cabeça para trás e deixava-me ir. Não por receio, ou por falta de coragem, mas porque no fundo a dor me extasiava. Desde pequena que fazia os possíveis para sentir a mão do meu pai em mim, não sei porquê dado que era raríssimo ele me bater, mas ansiava castigo.
E castigo era o que sofria agora, em espasmos sucessivos às mãos daquele que não só era pai da minha melhor amiga, bem como tinha idade para ser meu pai.
Não posso precisar ao certo quanto tempo demorou tal acto, mas posso assegurar que o gozo era contante. O meu regaço era por esta altura um dilúvio de espasmos e contracções, os meus gemidos ecoavam solenemente audíveis na sala e as minhas unhas cravadas com força no sofá, eram a prova viva do meu desnorte.
Ambicionava que de certa forma aquela tortura cessasse e que ele me tomasse ali, que me fizesse sua. Calculava pelo que me tinham dito, que seria doloroso, que haveria sangue e que gritaria de dor….Podia até ser. Mas neste momento era o que mais queria.
Como um cirurgião, P. operava milagres o caudal imenso de prazer em que o meu sexo se tornava e entre laivos de suspiros alongados e gemidos sibilantes de desejo, procurava com a minha mão apalpar o seu membro. Queria senti-lo naquelas calças, eu que nunca tinha visto um membro duro, implorava agora por o ter à minha disposição, mas ele mantinha-se demasiado afastado.
Convém igualmente acrescentar, que em nenhum momento antes fora forçada a algo ou seduzida por ele. Por incrível que possa parecer, a loucura e responsabilidade haviam sido toda da minha parte.
Mas agora era todo um Universo proibitivo de sensações que sucedia naquele enorme sofá. Havia contudo um Mundo lá fora a girar, na roda natural de um tempo concreto, ditado pelos ponteiros do relógio. Um Mundo de rotinas, de obrigações, de trabalho, de algum divertimento, de tristezas, de alegrias,de premissas imutáveis, de vontades existentes, em suma um Mundo de Gente.
Mas por umas horas, esse deixara de ser o meu Mundo. Deixara o planeta Terra e levitara com a mente, para uma pequena parte da Galáxia, onde só eu e P. Existíamos, onde só havia prazer, por mim demonstrado na forma abnegada com que me entregava ao prazer dos seus gestos rápidos mas firmes na minha vagina. Irónico, pensava eu, como os sentimentos podem ser distorcidos num simples capricho!
Na loucura do desejo, inebriada pelos múltiplos orgasmos, atirei quase sem voz:
-Obrigada!
Subitamente parou e pela primeira vez desde que afastara as calcinhas e o convidara a tocar-me ele fixou o olhar no meu, sorriu abertamente e levou os dedos à minha boca.
Por instinto, abri a boca, recebendo a ponta dos dois dedos, não hesitando a tocar-lhes com a língua, a chupá-los com entusiasmo.
Agi basicamente por impulso, ciente da minha nula experiência, mas talvez tenha deduzido que era esse o gesto por ele pretendido.
Contudo, ele nada disse nem sequer reagiu. Levantou-se demoradamente evitando olhar para mim, esfregou ponta dos dedos nas calças de sarja e concluiu:
-Creio que ainda não estás pronta.
-Pronta para quê? – Indaguei desconsolada.
-Ainda precisas de trabalho…
Olhei-o com uma raiva contida, De início deu-me vontade de o insultar. Senti o palpitar do sangue a ferver-me nas veias e recordo-me que na altura fiz um enorme esforço para manter o meu autocontrole. Demoradamente, como se ousasse o enfrentar juntei as pernas e sem deixar de o encarar, pois percebi que ele me tratava como uma criança. Eu que aspirava a ser mulher às mãos dele e afinal ele limitava-se a ridicularizar-me:
-Não percebo que…
P. interrompeu-me colocando a mão na minha boca e com voz grave, ordenou:
-Levanta-te!
Obedeci, apesar de por dentro ferver. Ele passou-me a mão pelo cabelo, descaiu-a pelas costas e deu-me uma palmada na nádega. Contive-me, não me mexi apesar de segurar com certa força a vontade de o insultar:
-Muito obediente, sim senhora. Gostava que A. também fosse assim. – Depois mudando de tom de voz continuou- Vou preparar o teu banho. Já te chamo!
Assim que saiu, apanhei as calças, tirei o Nókia e mandei uma SMS a A.:
-Olá.
-Estás bem? – Teclou ela rapidamente.
-Sim. Estou em tua casa. O teu pai já tratou de mim.
Bem, tratar talvez fosse um termo apropriado mas não com a intenção com que tinha teclado.
-Vou já para aí!
E de repente estava na sala de estar vazia, parcialmente nua, com os mamilos doridos de desejo e os olhos cobertos de lágrimas de indiferença.
-Sou tão parva! – Conclui para a televisão desligada.

sábado, 25 de maio de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 4-Revisão




"O mudo som da confusão mórbida que sufoca e provoca ao passar o Amor,
aquele sentimento gasto, de quem gastou o que não tinha e mantinha uma ilusão qualquer...

Crescer dói, mas cura, porque arde."

Inês Dunas: Antigo Testamento
http://librisscriptaest.blogspot.pt/2013/04/antigo-testamento.html


O som da chuva regressava à minha consciência e lentamente, nesses dois ou três minutos que se passaram, custava-me a acreditar no que os meus olhos me transmitiam.
Aparentemente estava no mesmo sítio, o Ford Fiesta permanecia de porta aberta e eu sentada, com P. a olhar-me com um olhar meigo mas simultaneamente de preocupação.
Rodei vagarosamente a cabeça e constatei que havia já um circo de curiosos a rodearem o carro e eu estava confusa, cada vez mais confusa.
-Que aconteceu?
-Bem vinda ao planeta Terra, creio que perdes-te os sentidos.
-Eu?
-Sim, mas é normal. Resultado do estado de choque, pois a avaliar pelo estado da bicicleta deve ter-te doído um bocado.
-Mas então e os beijos?
Houve uns segundos de hesitação da parte dele, como se eu estivesse estado a delirar e então numa voz calma, acompanhada de um erguer de sobrancelha inquisidor, indagou:
-Beijos? – Perguntou ele agora com um gargalhar.
-Sim…Bem…Mas…
-Ainda está confusa. É natural, eu vou-te levar ao Hospital. – Apressou-se ele a esclarecer, mais para os curiosos que circundavam a porta do carro do que para mim.
A minha cabeça girava a cem à hora, o meu coração palpitava e definitivamente não estava bem. Nunca fui propriamente uma miúda de imaginar contos de fadas, nunca brinquei às princesas e aos maridos…Que se passara comigo naqueles instantes? Perdera de facto a consciência? Teria imaginado tudo e em caso afirmativo, porque o tinha feito se nunca me havia dado para pensar em gajos?
De certa forma recusava-me a acreditar que a minha mente pudesse usar e abusar de conceitos, emoções e sensações que eu desconhecia por completo. Não que tivesse alguma aversão ao sexo ou temas relacionados com ele, simplesmente nunca tive curiosidade ou vontade. No que a mim me dizia respeito, sexo não existia. Contudo algum fundo de verdade devia ter, constatei mentalmente enquanto massajava o joelho, nas calças sem rasgão visível.
Teria efectivamente chorado como uma criança, teria havido a linda troca de beijos que me haviam embevecido?
Não sabia o que pensar, apenas concluía que era de facto impossível ele ter regressado ao local onde tudo se principiou e os curiosos que observavam, temendo que provavelmente estava louca….Mas será que de facto estava?
Não era bem um sentimento de Dejá Vu uma vez que a realidade seria sempre diferente dos meus sonhos. Até agora, constatava eu perfeitamente desconsolada, sempre tinha sido assim. Os meus sonhos nunca batiam certo.
P. contudo era igual aos meus devaneios, os seus gestos sempre tranquilos, a calma em pessoa e o sorriso sempre confiante e tranquilizador. Reparei inclusivamente, com certo agrado que pelo menos o Aftershave era igual ao do meu pai (bom pelo menos isso eu não sonhara) e que quando ele sorria arqueava ligeiramente a ponta do lábio inferior, dando a curiosa vontade de o morder. E lá estava eu outra vez, a levantar voo para longe daquele carro.
 -Não quero ir ao Hospital. Nem tão pouco tenho chaves de casa ou alguém lá à espera. – Atirei eu, decidida a cortar caminho.
-Não faz mal, sou enfermeiro pelo que não acredito teres nada partido.
Olhei de lado sem surpresa ou admiração, afinal a realidade perseguia o sonho, ou seria o inverso?
 -Vamos até casa e faço-te um curativo.
-Por mim tudo bem. – E secretamente sorri ao de leve esquecendo de vez as dores do joelho.

Nunca tinha estado em casa de A. dado que a nossa amizade era recente e no entanto era como se de certa forma a fachada do prédio me fosse familiar. Era um prédio Azul de três andares, com varandas curtas e de frente para a maior Avenida da cidade.
P. seguiu para as traseiras do edifício até à garagem, rodando com bastante precaução dado que a entrada era relativamente apertada e accionou o botão de abertura do portão. Como adivinhando os meus pensamentos apressou-se a esclarecer:
-Não tenho o hábito de guardar o carro na garagem.
-Porquê?- Interroguei sem saber o que poderia perguntar ao certo.
-Trabalho por turnos e é mais fácil deixar o carro à porta de casa.
-Trabalha hoje? – Perguntei hesitante.
-Hoje não. – Limitou-se a dizer.
O lugar de garagem era o último no fundo do corredor e após duas ou três manobras, estacionou e saiu da viatura apressadamente:
-Consegues andar?
-Se não houver escadas…
-Não. Só elevador.
Perguntei-me, a caminho do elevador se a sua pergunta seria um convite para me levar ao colo. Estaria ele a ser cortês ou aquele convite era uma forma atiradiça de me ter junto dele? Subitamente o meu corpo voltou a tremer de ansiedade.
P. entrou no elevador de porta laranja depois de mim, fechando-a cuidadosamente como se estivesse a esconder um tesouro, ou e isto talvez seja delírio meu, a ser cauteloso certificando-se que entráramos no edifício sem sermos notados.
Depois de ter premido o botão redondo com o número 2, olhou-me descontraidamente não se parecendo importar com o facto de também o olhar.
Admirava o seu jeito informal de se vestir. As suas calças em sarja slim, ajustadas à perna de cor bege, a sua camisa preta com leves riscas azuis e….Porque estava eu absorta nestes detalhes? Apenas e tão-somente para tentar descortinar a presença ou não de inchaço nas calças Jamais tinha ligado á forma de alguém se vestir e muito honestamente, moda é daqueles mundos do qual eu não faço parte. Tenho colegas que ligam a isso, que se definem como góticos e outras categorias, outros que exibem marcas como quem exibe troféus….Eu limito-me a vestir e a usar o que a minha mãe pode comprar, embora obviamente surjam momentos em que certas peças de roupa por ela compradas desaparecem misteriosamente no caixote do lixo.
-Com dores ou só pensativa? – Inquiriu ele perturbado pelo meu silêncio.
- Um pouco dos dois. – Respondi inquieta.
O corredor do segundo andar tinha três habitações, ou melhor duas portas castanhas nas pontas do corredor e uma central. Foi na central que ele estacou, procurou as chaves e abriu a porta.
Não estava propriamente à espera de nada em particular, preocupada que estava em não parecer uma criança assutada com toda esta situação. Limitei-me a deixar ser conduzida pelo corredor da casa, que embora me parecesse estar apinhado de móveis não roubava muito espaço de circulação. Penetramos na sala com ele a acender as luzes à medida que avançávamos até estacamos diante do sofá creme. Temendo um certo desconforto da minha parte, aproximou-se pousando delicadamente as mãos nos meus ombros e constatou:
-Vamos lá cuidar de ti. Deves estar molhada?
Lembrei-me então com algum terror da queda na poça de água e instintivamente levei a mão ao cabelo. Não estava propriamente molhado, mas estava peçonhento, com vestígios de lama e provavelmente mal cheiroso. De repente senti vergonha do meu estado e me senti frágil:
-Creio que sim. – Atirei á laia de resposta.
-Mas primeiro tenho de ver esse joelho.
 Sem pensar, descalcei-me apressadamente com a biqueira a empurrar a sola do outro pé, abri o botão jeans, baixei o fecho, deixando-as cair aos meus pés e chutando-as para o lado, indiferente à presença dele.
Só então me apercebi que estava de calcinhas azuis na frente de P. e estremeci incerta se de prazer ou frio.
Ele ajoelhou-se, aparentando não se ter perturbado apertando habilmente o joelho, soprando como se de certa forma estivesse a invocar algum espírito benigno para me proteger o joelho e sentenciou:
-Apenas uns arranhões. Tiveste sorte, nada que um pouco de álcool não resolva!-Proferiu ele na sua experiência de enfermeiro enquanto me alisava a perna.
Adorava sentir o seu toque nas pernas,a suavidade dos finos dedos a percorrerem ao de leve a minha pele.
Sem esperar por convite, sentei-me no sofá e vi-o a afastar-se para o interior da casa de onde regressou com álcool etílico e algodões, voltando a ajoelhar-se diante de mim.
Ali estava eu, em calcinhas sentada no sofá, com um Homem com H grande, os dois sozinhos, com todo o tempo do mundo. Sem proferir qualquer som, ao sentir o frio toque do algodão embebido em álcool:
-Tenho dores aqui também. - Esclareci apontando para a minha virilha.
-São fortes? -Inquiriu ele pensativamente.
-Um Pouco. -Menti eu
Lentamente abri as pernas, sentindo a presença da cabeça dele perto do meu sexo  e enquanto pousava a mão esquerda nas minhas calcinhas como para o chamar à atenção, pousei a mão direita na face dele, sentindo a barba curta a picar-me  palma da mão. Ele levantou os olhos e instintivamente afastei as calcinhas exibindo o meu sexo, sem saber ao certo se ele o queria ver.
Ele pareceu hesitar, sorriu ao de leve, baixou a cabeça e concentrou a sua atenção no meu palpitante sexo, usando o dedo indicador em círculos curtos sobre os fracos pelos pubianos.
Agora eu era S. a mulher fatal, a seduzir o meu primeiro homem.
No fundo, queria sentir a realidade do que havia sonhado no carro, quando perdera os sentidos e temendo voltar a perdê-los agarrei-lhe os cabelos, implorando um ensurdecedor : “Sou tua”!

sábado, 18 de maio de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 3-REVISÃO




Todos os castigos trazem um pecado antigo,
o meu agarrou-se às minhas pernas,
morde-as, beija-as, arranha-as numa caricia prepotente...
Um dia tomei uma decisão, mas as decisões não se deixam tomar
sem um namoro prévio...

Inês Dunas : A Fábula da Bela Adormecida e da cobra
http://librisscriptaest.blogspot.pt/2011/04/fabula-da-bela-adormecida-e-da-cobra.html


Após o choque inicial e após ter constatado que tanto o ciclista como eu estávamos bem, P. apressou-se a resguardar-me dentro do veículo, no lugar do pendura, daquela confusão, com a promessa a A. que me levaria ao hospital como precaução necessária após tal embate.
Eu, por mim estava pouco me ralando para o que quer que fosse. É certo que tanto o meu joelho direito como a minha cabeça doíam, mas sabia de antemão que este não era o momento de me armar em frágil.
Quando a situação se resolveu ele regressou imperturbável à viatura, batendo a porta delicadamente e enquanto punha o cinto explicou o seu plano:
-Eu penso que seja necessário ir ao hospital, no entanto se não quiseres…-Aconselhou ele a olhar para o rasgão que a bicicleta fizera no joelho esquerdo.
-Não quero! – Apressei-me a responder, escondendo com a mão esquerda o rasgão.
P. sorriu ao de leve e após uns segundos exclamou:
-Ok, levo-te a casa!
-Não está ninguém em casa. A minha mãe foi trabalhar.
-Bom, mas precisas desinfectar isso.
-Não tenho chaves de casa. – Menti eu sem saber o que raio dizia.
Os tremores no meu corpo continuavam e não eram devido ao choque mas á presença da mão dele sobre o meu joelho:
-Posso ver se está inchado?
-Como?
-Sou enfermeiro. Só pretendo apalpar
-Sim. – Consenti eu nervosa.
Senti o suave aperto da mão sobre a rótula, senti o polegar a mexer em círculos e senti o aftershave dele a invadir os meus sentidos. Ironia das ironias era igual ao que o meu pai sempre usava o “Chrome” da Azarro, o frasquinho azul com que eu brincava nas mãos enquanto o via a fazer a barba, naquele modo tão solene próprio de quem realiza uma tarefa importante. Inadvertidamente pousei a mão sobre a dele e gemi, mais de prazer que de dor.
Estava absolutamente descontrolada e talvez tenha sido por isso que finquei as unhas na sua mão
-Dói? – Indagou ele preocupado.
-Não…- Respondi apressadamente.
Por segundos os nossos olhos se cruzaram e estava perfeitamente à espera de tudo. Naquele preciso momento não uma criança frágil, magoada devido a um acidente parvo e encharcada pela chuva e pela queda. Ali, nesse instante eu era uma mulher assediada por um homem charmoso e capaz das maiores loucuras. Instintivamente dei-lhe um beijo ao de leve no pescoço e imediatamente me arrependi. O gesto pareceu de certa forma o ter assustado, pois sentou-se muito direito e arrancou com o carro, olhando em volta como se estivesse com receio de ter sido visto a ser beijado.
Enquanto circulávamos a pouca velocidade ia pensando no que dizer ou no que fazer. Pela segunda vez na presença de um cota não tinha qualquer reacção. Embaraçada e envergonhada pensei em pedir desculpas, em lhe explicar que foi o seu perfume que me levou aquele acto, mas em vez disso, soltei:
-Onde vamos?
-A minha casa. Já que não queres ir ao hospital, eu preciso de ver essa ferida.
-Não era necessário…
-Faço questão. Afinal estavas a sair do meu carro, logo a responsabilidade é minha.
E de repente, quando nada o fazia prever comecei a chorar, talvez devido o conjunto de incidências desse dia, talvez devido à minha insegurança ou talvez devido á minha real idade, as lágrimas rolaram-me abruptamente pela face, molhando os meus lábios de frustração e sal.
P. apercebeu-se, ligou os quatro piscas e abraçou-me sem dizer uma palavra.
Ali, naquele momento deixei de ser frágil e desprotegida. Rodeada por aqueles braços, voltei a ser mulher e sem me fazer rogada voltei a beijá-lo uma vez mais…e outra… e outra… e outra. O seu pescoço era o meu depósito de beijos  e eu estava em franca ebulição.
Surgia pela primeira vez uns tremores em todo o meu corpo, umas palpitações estranhas no meu sexo e um calor febril assaltava a minha face.

Não estranhei quanto senti a sua mão na minha perna, os dedos fincados a alisarem coxa. Instintivamente eu afastei as pernas, convidando a mão a subir pelas jeans, permitindo que o fecho se abrisse mostrando aos seus dedos o efeito que ele estava a ter em mim.
Não pensava, não raciocinava, apenas deixava-me ir. Perdera a noção do espaço e do tempo e de certa forma era sua prisioneira.
Sentia a ponta dos seus dedos nas minhas calcinhas enquanto o beijava na boca. Jamais havia beijado algum homem que não o meu pai. Inclusivamente, jamais havia dado liberdades aos putos da minha turma, pois sempre os via como arrogantes e tarados, nunca fui muito de dar confianças. Não era propriamente uma Maria mete-nojo, mas nunca tivera curiosidade ou vontade de explorar esse tema.
A verdade preto no branco, era o facto de odiar que me tocassem, que sequer pensassem que podiam ter liberdades comigo no recreio ou em qualquer sítio. Não me sentia bem com o meu corpo, achava que tinha uns seios pequenos, uma boca torta e uns ombros masculinos e se eu achava isso, temia de certa forma pensar o que os outros achariam. Por vezes as minhas colegas contavam-me que tinham sido apalpadas no corredor da escola ou a caminho do ginásio e sempre via isso como algo repugnante e profundamente tarado.
Mas agora, com  a face molhada das lágrimas que ainda rolavam, com o abraço dele, com o toque das suas mãos, ágeis e seguras em mim, simplesmente estava rendida.
Os vidros embaciados eram a cobertura perfeita e pela primeira vez na minha vida não reclamei pelo rádio estar desligado. Queria concentrar todos os meus sentidos em P.
Não sabia dizer se tinha sido eu a por a mão no seu colo, ou se tinha sido ele a guiá-la, mas fosse como fosse a minha mão apertava as calças, sentindo o seu sexo sob o tecido.
Uma vez, há já algum, tempo tinha visto o meu pai nu a sair do banho. Ele julgava estar sozinho em casa e foi a única vez que tinha visto um pénis,
De súbito, ele endireitou-se no assento, ligou o rádio, acendeu um cigarro e olhando-me serenamente, constatou:
-Estamos loucos, não estamos?
-Talvez. – Concordei quase sem voz .
Sem proferir mais alguma palavra ele voltou a arrancar com o carro enquanto eu olhava para o inchaço nas suas calças, contente por o ter conseguido pôr assim.

Não me lembrava da dor, do joelho ou do que quer que fosse entretida que estava a saborear a sensação de molhar as calcinhas. O meu primeiro orgasmo!

sábado, 11 de maio de 2013

Desculpa Se Sou Puta -Parte 1 - Capítulo 2-Revisão





As crianças já não perguntam nada aos malmequeres...
E os pais só as querem astutas e com conversas adultas
porque sofreram sempre de ejaculações precoces...
As crianças já não se querem puras, nem doces...
Já não se querem crianças..


Inês Dunas : Ama Dure Ser

http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/08/amadure-ser.html



Como lágrimas atiradas violentamente contra o vidro do carro, as gotas de chuva sucumbiam ao arremesso frenético do limpa-vidros do Ford Fiesta cinzento perante o meu olhar inquieto.
Não sabia ao certo o que dizer, nem como iniciar uma conversa interessante que fosse de modo a cativar o pai de A.
Habitualmente nunca ficava nervosa perante cotas, pois armava-me em adulta, empinava o nariz e mantinha-me preparada para responder uma frase feita, como uma víbora a cuspir o veneno, mas por qualquer razão, o rosto que me sorria pelo espelho retrovisor do carro inquietava-me.
P. não era um arquétipo do meu pai, nem tão pouco o olhar dele era afável como o do meu herói. P tinha um olhar penetrante, com uns olhos verdes tão profundos como um oceano e a mesma tranquilidade de um dia de verão. A ia falando e gesticulando acerca de tudo e do nada, como sempre fazia e eu muda e calada presa naquele olhar que me inquietava e sossegava ao mesmo tempo.
Por duas vezes, fingia ignorar a sua barba de dois dias, o seu queixo duplo saliente, concentrava-me apenas na voz de A e não percebia como um homem assim podia ser pai de alguém. Um sujeito assim só podia e devia ser actor de cinema, perpetuar-se no tempo tipo James Dean e nós as mortais eclipsadas por aquele olhar, testemunhas vivas da perfeição sem dono, ou melhor, dona….
-Não achas? – Inquiria A no banco da frente.
-O quê? – Interroguei perdida nos meus pensamentos
-Que devia ser feriado...
-Ah sim, devia…
O sorriso dele rasgado, os lábios finos, o meu coração a bater acelerado, inexplicavelmente acelerado e eu a tremer, não pelo frio ou por estar molhada da chuva…Que raiva sentia em não me conseguir concentrar no timbre agudo da voz de A.
-A . já me tinha falado de ti, mas nunca me disse que eras tão bonita. – Atirou ele, numa voz doce, piscando o olho pelo retrovisor.
Habitualmente escarnecia de um piropo desse tipo, quer fosse dito por colegas de escola, quer por qualquer cota a tentar ganhar a minha simpatia, mas nesse momento permaneci calada e talvez até tenha corado.
- Eu disse-te pai, ela é super fixe!
-Estou a ver e muito faladora também. – Retorquiu num tom sarcástico.
Por qualquer razão que não conseguia explicar, em plena manhã chuvosa de Janeiro eu estava a suar nas palmas das mãos. Odiava sentir-me assim, perdida, intranquila, nervosa pois invariavelmente tornava-me desajeitada.
Ao fundo da estrada, reconhecia os portões da escola, o pesadelo acabaria ali no entanto a minha vontade residia em permanecer naquele carro, preferencialmente no lugar da frente. Com ele ao volante iria até ao fim do mundo, embora não pretendesse emitir qualquer som. Para nós, miúdas crescidas, os cotas não contam para estatística. São aves raras, criadores de regras absurdas, ininteligíveis e absolutamente desprovidas de bom senso, pelo que a incapacidade de encetar um diálogo com P me deixava com um ataque de nervos, como se por mais vontade que tivesse em articular uma frase, receasse que apenas saíssem das minhas cordas vocais, sons imperceptíveis, grotescos.
O Ford parou suavemente a poucos metros da entrada da escola. Lá fora o dilúvio continuava enão havia qualquer indício de melhoria. Esperei pacientemente que A. saísse da viatura pois queria ficar a sós com ele, nem que fosse por míseros segundos e absorver todo aquele olhar.
Como se ele tivesse percebido a minha vontade, colocou-me a mão no ombro, pouco antes de eu abrir a porta e pausadamente indagou, à laia de tentar ganhar tempo:

-A tua mãe não te pôde levar?

-Não. Estamos sem carro. - Atirei na fraqueza do meu ser.

-Ah sim? Avariado suponho?

-Não. Penso que o meu pai o tenha levado... - Menti já desesperada por mudar o assunto.

-Eu soube que os teu pais se separaram. Lamento!

“Lamento?” - Articulei eu mentalmente, como que tentando digerir de uma só vez dez bolachas Maria. Que raio de cena era esta de lamento? Ninguém morreu, ninguém saiu do meu círculo de vida...Lamento? Fiquei furiosa por A. ter contado todo o meu drama aos seus pais. Que mais saberia ele?
Afinal, tinha sido apenas ingénua. O sorriso, o olhar não eram para mim, mas um gesto de piedade pelo que estaria a passar. Que lorpa tinha sido em, achar que com catorze anos poderia de certa forma ser alvo de um sorriso daqueles  . Que poderia ele lamentar? Tem mulher, tem filha, vivem felizes...O que raio sabe ele de lamentos?
Toda eu tremia, era rastilho ardente em barril de pólvora, fervendo para estourar. Estouvadamente quis sair rápido dali , abri a porta do carro, rodopiei sobre o assento e saí erguendo a mochila como escudo de um novo olhar e precipitei-me para o exterior.
Na pressa da saída aconteceu o inevitável. Ou seja, o inevitável é aquela cena que só acontece a mim, uma sucessão de atabalhoamentos, como se o meu corpo sofresse choques eléctricos e eu perdesse o controle.
Fazendo questão de sair rapidamente não vi a poça de água bem aos meus pés, após sair para o passeio e quando a vi já era tarde demais, não evitando meter os dois pés lá dentro. Apressando-me a reagir, saltei para o lado, esperançada que nem A. nem P. se tivessem apercebido, não reparando num ciclista que circulava nesse mesmo passeio e literalmente atirei-me para a frente dele, levando em cheio com ele, mais a bicicleta e a mochila que entretanto parecera ganhar vida e voara, caindo em cheio em cima de nós.
Estatelada no chão, com a cabeça na poça de água da chuva, com o ciclista caído ao lado e a bicicleta e a mochila em cima de mim, insultava o Universo por só a mim acontecerem coisas deste tipo. Agora de certeza que seria gozada não só por toda a escola como por A.e P.
No entanto e para meu espanto, não obstante a quantidade de pessoas que se entretinham a olhar, P. apressou-se a sair do carro e ajoelhar-se perto de mim, analisando-me atentamente:

-Bem, não pareces ter nada partido!

Eu tentei sorrir nervosamente e apenas exclamei para mim mesma:

-Só o orgulho….Mas sobrevivo.




sábado, 4 de maio de 2013

Desculpa Se Sou Puta - Parte 1 - Capítulo 1 - Revisão -







“Escrevo as linhas ténues do meu sonho,
Frágeis fragmentos de lucidez roubada,
Momentos, mais nada…
Podia amar-te hoje, lamber o salitre da dor que me trazes,
Perdoar sem esquecer-te…”

Inês Dunas

Havia perdido os primeiros gritos de guerra, enclausurada nos meus lençóis de flanela, incapaz de reagir a mais uma segunda-feira penosa que se aproximava devagar sem querer espantar os mortais que encaram esse dia como uma penosa jornada.
Era obviamente o meu caso. Para mim, aos 14 anos a escola é uma tremenda seca, os transportes públicos são um tormento, as profs uma violenta dor de cabeça e sair ainda de noite para todo este tormento era uma perfeita loucura. Fosse eu que mandasse no mundo e decretaria a proibição de sairmos de casa como morcegos, às apalpadelas na escuridão de uma madrugada fria.
No piso inferior a generala (alcunha que dou à minha mãe, especialmente às segundas-feiras ou quando debita ordens incompreensíveis), berrava a plenos pulmões que era hora de levantar…e a escola…blá…blá….blá.
A minha mãe é aquele género de pessoa chata, que acha que sabe tudo, que percebe tudo, que sabe o que eu quero, o que sinto e o que passo, mas ela não sabe nadica de nada. Se há algo que odeio mesmo do fundo do coração é o ar presunçoso dos cotas que acham que somos apenas crianças, que somos apenas fiteiras, que necessitamos apenas de estudar, de marrar e blá,blá,blá. Que diabo, somos pessoas como eles, com gostos e ódios mil e temos todo o direito a não querer que as ditas "verdades Universais" brotem de bocas de gentinha que nada é na vida.
Veja-se o meu caso, ou por outra, o caso da minha mãe. Funcionária do correios,(não, não anda de mota a distribuir cartas, se bem que isso era fixe), em nove anos nunca foi promovida, ao contrário da colega dela que só lá está há um ano. Depois, separou-se há cerca de dois meses, porque o meu pai descobriu que a secretária dele era mais eficiente e mais nova que a cota da minha mãe e ainda por cima, perdeu o carro que havia comprado, com a desculpa de que já era velho e só daria despesas extras. Isso fez-me pensar que também ela era velha e a adivinhar pelos montes de comprimidos que sempre traz da farmácia, poderia igualmente fazer-lhe uma rifa com a mesma desculpa.
Eu não sou mimada, sou apenas ciente do conforto e o carro, bem vistas as coisas, era o espaço quente e tranquilo, os vinte minutos de tranquilidade antes de ser largada na tortura. Era uma espécie de última refeição de um condenado à morte.
O meu pai claro, é o meu herói  Sempre foi e sempre será. No dia em que ele saiu de vez de casa, sentou-se à cabeceira da minha cama, explicando-me o que estava a suceder, com longas pausas, gestos teatrais e frases feitas ou bem ensaiadas mas  quanto mais ele se alongava nas explicações, mais percebia que, embora sem o dizer, a minha mãe era a culpada da sua saída e isso enfureceu-me.
Saí para o dilúvio sem uma palavra, sem sequer olhar para trás. Mãe que é mãe nunca permitiria que filha fosse para escola neste temporal, pensei eu amargamente quando o meu Nokia vibrou:
-Onde estás?
-Ao frio e à chuva a caminho da escola e tu?
-A caminho também. Estás perto de casa?
-Sim…Porque?
-Estou com o meu pai. Queres boleia?
-Lógico. – Sorri eu esperançada.
-Ok S.
A.era a minha mais recente amiga e já a caminho de uma promoção de melhor amiga. Era aquele tipo de miúda que sabe sempre ouvir e dar um sorriso esperançoso. Além disso e apesar de só a conhecer á meio semestre acompanhou de perto o meu drama da separação dos meus pais. Ou seja, adoro-a.
O Ford Fiesta cinza chegou relativamente rápido e lá dentro os dois sorriam-me. A vinha à frente no lugar do pendura e o pai ao volante. Não perdi tempo e entrei para o banco de trás, lutando para me sentar com o guarda-chuva, a mochila e a minha aptidão natural para ser desastrada sob pressão.
E é precisamente por esta boleia e no quanto ela me influenciará que escolhi este chuvoso dia, como o princípio da minha história.







Desculpa Se Sou Puta - Introdução-Revisão-







"Foi ontem que pela primeira vez percebi
que a mulher para ser feliz,
tem de deixar de ser menina...
Que nem sempre o que se diz é aquilo que se sente...
Que a boca que se beija,
é a mesma que nos mente..."

Inês Dunas: "Foi Ontem..."
http://librisscriptaest.blogspot.pt/2009/12/foi-ontem.html



Havia na memória a malícia de querer sonhar, de quem aos catorze anos sabia de antemão que podia ser tudo e tudo ser, podia ter, querer aspirar a vencer, em suma podia viver.
Nos recantos mais sinistros do inconsciente deambulavam as quimeras de sonhos perdidos, no vácuo infecundo da impossibilidade de os alcançar. Tudo querer, tudo desejar e tudo perder.
O Mundo é um organismo vivo de sonhos perdidos, escondidos nas capas da dor da aparência, do cinismo maquiavélico de quem se rege pelos outros, por todos ou apenas pela macabra ilusão de se deixar levar, como pedaço de cortiça sem vida na tona de um leito de rio imundo, sujeito ás vontades de outras correntes e outros desejos.
Também eu armazenei desejos, sonhos e vontades, juntando-os mentalmente, catalogando-os em secções diversas nas repartições da minha mente, mal sabendo que ao invés de coleccionar ambições, iniciava uma verdadeira caixa de Pandora de sonhos destruídos.
Havia a secreta ideia, por mim idealizada, de um dia poder estar estável na vida, com um curso de medicina feito em tempo regular, após muito estudo e dedicação. Teria uma moradia na zona periférica da grande metrópole, com uma densa sebe verde a tornear os muros altos, talvez pintados de  laranja. O meu recanto idílico, escondido, onde teria uma piscina algo grande, com um relvado a circundá-la, e uma ou duas cadeiras, espreguiçadeiras  onde leria nos belos dias de Agosto os meus livros preferidos.
A fachada da moradia seria lindíssima, com um grande portão de ferro, estilo vivenda antiga e na garagem, situada preferencialmente do lado esquerdo da moradia, teria lá guardado o meu Mercedes SLK prateado, que apesar de nada entender de carros, sei que não é muito confortável para penduras atrás , descapotável, potente. Bom para curtir a vida.
Não que o objectivo da viatura fosse o de criar inveja entre os meus vizinhos banqueiros, mas porque uma dona de uma clínica médica privada no centro de Lisboa, teria que ter a devida aparência  de sucesso.
Encontraria o meu companheiro, num dos muitos jantares promovidos pela clínica, (até porque acredito que é após um belo repasto bem regado que os homens deixam de ser imbecis e passam a ser espelhos interiores da sua alma, sem a fachada Teen e machista que sempre usam, como uma máscara diante de uma pessoa do sexo oposto), casaríamos em tempo recorde, com direito a lua-de-mel num país tropical . Seríamos felizes, teríamos dois filhos um cão, de preferência da raça cão-de-água , de cor preta e bastante arisca e alegre.

 Mas....

Ok, vou começar pelo principio, na certeza das coisas quando habitavam a minha vontade de crescer, de aprender e de a todo o custo querer ser dona de mim. O princípio para mim foi o menos doloroso, para ser franca nem sei bem como catalogar com segurança máxima o início desse principio. Mas serei fiel a esta tentativa de tentar de certa forma escrever esta espécie de diário, não com o intuito de me julgarem, ou de me defender, mas tão só o de me dar a conhecer.
Antes de tudo, sou uma jovem agora com 16 anos, estudante de notas médias, filha de pais separados, amante de leituras diversas e pouco dada a tarefas domésticas. Sou orgulhosa, timida, falsa, insegura, segundo a minha mãe "cabeça no ar", segundo o meu pai "presunçosa", mas aqui para nós...Acho que sou apenas uma jovem igual a tantas outras.
OK, talvez tenha uma visão da vida diferente das jovens da minha idade, mas isso provavelmente se explique pela minha tenra história de vida.

Olá a todos, o meu nome é S.(na verdade o meu nome nem começa por S, mas achei que ficava bem)e esta é a minha história...