"A sobriedade porém não gosta de aventuras, mas ninguém é estupidamente sóbrio a este ponto...
Conto os dias que nos separam.."
Inês Dunas: http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/07/ode-aos-desamores-ridiculos.html
O mundo não acabara repentinamente nem a minha vida levara qualquer volta pelo simples facto de ter contado detalhadamente à minha melhor amiga o meu envolvimento com P. Pelo contrário, julgo mesmo que me aliviara do desconforto da ausência de notícias dele.
Os dias passavam penosamente longos, entre aulas que nunca mais acabavam e discussões intermináveis com a minha mãe. No fundo, era um forte regresso à pura rotina dos meus dias, a um existir penoso onde nem sempre havia uma mísera nota de 5 euros no bolso para afogar os meus dilemas e dramas em gomas.
O ostracismo a que ele me lançara começava lentamente a penetrar nas falhas do meu escudo emocional e qual Ser com vida própria ameaçava causar estragos a todos os níveis.
A minha confiança descia vertiginosamente no ritmo dos ponteiros das horas e já nem a série Glee me fazia sorrir. Tendia, nestes últimos dias a aceitar a versão de V. de que tudo não tinha sido apenas um divertimento para P e que e facto não tinha qualquer importância para ele.
Resistira até então à vontade de me baldar às aulas e plantar-me à porta de sua casa, exigindo explicações, mas de certa forma, inconscientemente temia ser confrontada com o regresso da Senhora P e então não poderia mais voltar a sonhar. Lutara igualmente contra a vontade de aceder ao Skype e procurar sondar a minha amiga de infância e por sinal a filha de P sobre tudo o que ela me pudesse acrescentar sobre ele.
Pois, resistira a tudo isso e a verdade é que nada de interessante essa resistência me trouxe. Não houve prémio de bom comportamento ou recompensa para a minha paciência.
A verdade era fria e dura para mim. P cortara-me da sua vida ou de certa forma eu havia perdido o interesse para ele e este era um cenário que me transtornava de sobremaneira. Ninguém gosta de ser colocada a um canto, muito menos uma jovem de 14 anos que achava ser mulher.
O pior de tudo, era o recalcamento diário expresso no olhar de V sempre que estávamos juntas e o assunto vinha à baila. Era doloroso admitirmos que estávamos enganadas
Foi com surpresa quando ao descer as escadas do meu quarto, após ter tomado um demorado duche, ouvi a voz dele. O mesmo timbre pausado, monocórdico mas com repleta autoridade. Atarantada encostei-me à parede, como se tivesse levado um estalo com uma intensidade incalculável e tivesse de ter cuidados médicos. Subitamente o coração batia-me sem controle no peito, as pernas tremiam-me e não conseguia respirar. O que raio fazia ele ali? Como podia ele estar a falar com a minha mãe?
Os sons da conversa chegavam-me em espasmos incontroláveis, numa cacofonia que o meu cérebro não conseguia distinguir. Era como se eles estivessem a falar numa língua incompreensível e eu tivesse os ouvidos cheios de água.
Na verdade, para mim naquele momento, nada daquilo me fazia sentido. Ele não conhecia a minha mãe, a minha mãe não o conhecia e era assim que tudo deveria continuar....Ou será que se conheciam?
Bom, de qualquer forma ele não seria louco a abrir o jogo, pelo menos não com a minha mãe e veio-me à cabeça algo que V me dissera: "Se houver merda, lembra-te sempre que o pedófilo é ele. Faz-te de vítima!".
Ganhando coragem, sob esse ponto de vista desci as escadas, embora ainda controlando as pernas que ameaçavam ceder a qualquer instante.
Ao fundo das escadas, ao virar para a sala dei com o sorriso dele de frente. Tranquilamente sentado na cadeira que em tempos tinha sido ocupada pelo meu pai, tendo a minha mãe optado por se sentar no sofá perto dele, também ela me sorriu o que motivou logo o meu sorriso de escárnio:
-Fartei-me de te chamar! - Atirou ela calmamente.
-Sabes que tomo banho sempre com o rádio alto.
-Claro, tens essa mania de quereres ficar surda muito cedo.
-Não é mania, tu não percebes nada. - Ripostei sem tirar os olhos dele.
-Sabes quem é este senhor?
-Sei. - Respondi nervosamente.
-Ele veio te convidar para jantares com eles hoje.
-Eles? - retorqui sem pensar.
-A filha e a esposa claro.
-Ah....Claro!
-Espero que não leves a mal, mas a minha filha não tinha o teu número...- Ele resolveu entrar na conversa.
-Não tenho telemóvel.
-Ah não? Isso é raro nos dias de hoje.
-Oh eu não deixo. Sabe, os jovens de hoje têm a mania que são independentes, que são donos do seu nariz e há muitos perigos. Eu tento proteger S o máximo que posso.
-Perigos? - Sondou P com malícia.
-Absolutamente. Eu leio nos jornais sobre os perigos de internet e telemóveis.
-Treta. Ela não que que fale com o meu pai ás escondidas. - Provoquei num tom de escárnio.
-S, sabes bem que não é verdade...
-Mas o telemóvel pode ser importante se ela precisar de falar consigo.
-Comigo? - A minha mãe soltou um risinho trocista- Mais depressa pedia ajuda a um estranho que à própria mãe. Sabe ela está naquela fase...
-Oh compreendo! - mentiu ele.
-Certamente que passa pelo mesmo com a sua filha?
-Certamente que sim. - Respondeu com indiferença.
-Bom e posso ir jantar ou até isso estou proibida?
-S que ideia estás a dar a este senhor? Alguma vez te proibi de visitar amigas?
-Não.
-Vês!
-Porque vou sempre sem te pedir...
-Esse teu feitio! És igualzinha ao teu pai!
-Quem me dera...
-Se continuas com essa atitude minha menina, não vais a lado nenhum durante anos...
-Típico...
Antes que o ambiente fervesse ainda mais P ergueu-se rapidamente da cadeira e sempre de sorriso firme , deu-me o braço enquanto se apressou a esclarecer a minha mãe:
-Tenho mesmo de "raptar" a sua filha, pois já se está a fazer tarde e temos gente à espera. Espero que de facto não se importe.
-Oh não. Até porque amanhã é Sábado e não há escola.
-Muito bem, eu prometo que a venho trazer cedo.
-Tudo bem...Eu deito-me sempre tarde.
Por uns segundos deu-me a impressão que a minha mãe estava a fazer olhinhos a P:
-Vamos ou não! - Explodi em fúria.
Antes que a minha mãe reagisse praticamente arrastei-o para fora de casa, desejosa de uma explicação para tudo aquilo. Assim que entramos no carro, ele sorriu abertamente:
-Não foi difícil.
-Onde vamos? - Inquiri ainda furiosa.
-Jantar.
-Ah não, nem em sonhos me vais levar a jantar com...
-Tontinha. Somos só os dois.
-Ah...
Repentinamente a minha vida voltara a fazer sentido!
Ganhando coragem, sob esse ponto de vista desci as escadas, embora ainda controlando as pernas que ameaçavam ceder a qualquer instante.
Ao fundo das escadas, ao virar para a sala dei com o sorriso dele de frente. Tranquilamente sentado na cadeira que em tempos tinha sido ocupada pelo meu pai, tendo a minha mãe optado por se sentar no sofá perto dele, também ela me sorriu o que motivou logo o meu sorriso de escárnio:
-Fartei-me de te chamar! - Atirou ela calmamente.
-Sabes que tomo banho sempre com o rádio alto.
-Claro, tens essa mania de quereres ficar surda muito cedo.
-Não é mania, tu não percebes nada. - Ripostei sem tirar os olhos dele.
-Sabes quem é este senhor?
-Sei. - Respondi nervosamente.
-Ele veio te convidar para jantares com eles hoje.
-Eles? - retorqui sem pensar.
-A filha e a esposa claro.
-Ah....Claro!
-Espero que não leves a mal, mas a minha filha não tinha o teu número...- Ele resolveu entrar na conversa.
-Não tenho telemóvel.
-Ah não? Isso é raro nos dias de hoje.
-Oh eu não deixo. Sabe, os jovens de hoje têm a mania que são independentes, que são donos do seu nariz e há muitos perigos. Eu tento proteger S o máximo que posso.
-Perigos? - Sondou P com malícia.
-Absolutamente. Eu leio nos jornais sobre os perigos de internet e telemóveis.
-Treta. Ela não que que fale com o meu pai ás escondidas. - Provoquei num tom de escárnio.
-S, sabes bem que não é verdade...
-Mas o telemóvel pode ser importante se ela precisar de falar consigo.
-Comigo? - A minha mãe soltou um risinho trocista- Mais depressa pedia ajuda a um estranho que à própria mãe. Sabe ela está naquela fase...
-Oh compreendo! - mentiu ele.
-Certamente que passa pelo mesmo com a sua filha?
-Certamente que sim. - Respondeu com indiferença.
-Bom e posso ir jantar ou até isso estou proibida?
-S que ideia estás a dar a este senhor? Alguma vez te proibi de visitar amigas?
-Não.
-Vês!
-Porque vou sempre sem te pedir...
-Esse teu feitio! És igualzinha ao teu pai!
-Quem me dera...
-Se continuas com essa atitude minha menina, não vais a lado nenhum durante anos...
-Típico...
Antes que o ambiente fervesse ainda mais P ergueu-se rapidamente da cadeira e sempre de sorriso firme , deu-me o braço enquanto se apressou a esclarecer a minha mãe:
-Tenho mesmo de "raptar" a sua filha, pois já se está a fazer tarde e temos gente à espera. Espero que de facto não se importe.
-Oh não. Até porque amanhã é Sábado e não há escola.
-Muito bem, eu prometo que a venho trazer cedo.
-Tudo bem...Eu deito-me sempre tarde.
Por uns segundos deu-me a impressão que a minha mãe estava a fazer olhinhos a P:
-Vamos ou não! - Explodi em fúria.
Antes que a minha mãe reagisse praticamente arrastei-o para fora de casa, desejosa de uma explicação para tudo aquilo. Assim que entramos no carro, ele sorriu abertamente:
-Não foi difícil.
-Onde vamos? - Inquiri ainda furiosa.
-Jantar.
-Ah não, nem em sonhos me vais levar a jantar com...
-Tontinha. Somos só os dois.
-Ah...
Repentinamente a minha vida voltara a fazer sentido!
Hummmm... A relação de amizade com V promete dar muitas e sinuosas voltas... E eis que o predador volta a investir depois de a deixar mais vulnerável ainda, com a distancia e silencio a que a submeteu, uma forma ardilosa de manipulação pura...
ResponderEliminarEstava a ver que me deixavas mais uma semana a seco!!
E não, não tens desculpa para não escrevers outro capitulo (ou outros, isso é q era!!) este fim de semana!!
Beijinhos em ti!