sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CUM OVER....



Aguardo que a quietude do silêncio caia sobre este lugar. Miro ansioso as teclas como que procurando o fio condutor de tudo aquilo que poderia dizer, em palavras únicas, regadas de prazer, com lânguidos suspiros de desejo. Aguardo no fundo o salvo-conduto para o Mundo, o meu Mundo onde me perco, onde me encontro, onde me entendo, onde me raciocino e sobretudo onde te desejo.
No silêncio dos sons, vou-te buscar no exacto momento em que o tempo pára, pétala a pétala, linha a linha, frase a frase, sonho a sonho. Abro a porta dos sonhos, e trago-te para o meu regaço, onde me sussurras ao ouvido, não com sons mas com suspiros, brisas de vento que me tocam, me rodeiam, me tacteiam no manto negro da noite  As palavras crescem devagar por entre as teclas,no meu martelar irregular no teclado, em ramos invisíveis e místicos, mas só depois do calor dos teus lábios e mãos invisíveis, me cercarem , me afagarem , e somos nós, unos e indivisíveis , sujeito e predicado, complemento do desejo, na gramática do entender, porque existem sombras que se vestem de nós e te revejo em qualquer canto.
A cadência clean do texto simples, com o teu perfume, a tua espectral presença desvia-me o sentido, acentua-me a pontuação e deixo os caracteres correrem livremente, como um pianista sem rédeas. O corpo sabe caminhos que a razão desconhece, levantando-se num querer fálico e eu deixo-o crescer, manifestar-se...Há dias em que nem sei se existes ou se fui eu que imaginei, que te criei. Personagem de um dos meus contos Então mentalmente projecto-te aqui,sentada de vermelho, gota de sangue da vida num fundo escuro da sala...Liberta-te, ordenas tu em pensamento, percepção extra-sensorial do meu querer, e eu solto-o, farol de todas as coisas nossas, letras amordaçadas e caracteres pouco nítidos na projecção do racional que se perdia. Seguro-o e olho-te espectadora de mim, as tuas pernas tinham necessidade de tocar uma na outra, os teus dedos procuravam aquele poço delicado onde se toma fôlego e preciso de me reler e te ler, beijar os cândidos espinhos que outrora protegeram rosas e recolher as pérolas ou procurar sabores novos....prazeres redobrados ....fala-me, diz-me....toca-te....escreve-te, imortaliza-te, imortaliza-me...mostra-me...
Somos espectadores silenciosos de nossos próprios desejos. A mente é um sítio estranho onde me despes, me olhas e te desejo. Não há regras, só volúpia, não há razão, só tesão, no gosto acre da conquista da liberdade de me expor For Your Eyes Only, ..Nu sem cheiro de perfume que me mascare, sem anel que me castre.
Páginas e páginas escritas, bolotas aos teus olhos transformadas em pérolas Universais. Aproximas-te silenciosamente, pedes só com o olhar para segurar nele....finalizar.
Evito...Tenho tanto para te dizer, para escrever...consentes, mostras-me a humidade dos teus (nossos) actos na ponta dos teus dedos, conduzes a minha boca à fonte eterna do teu prazer, onde brota o teu desejo em gemidos contidos....matas-me a sede e convidas-me a entrar...por favor magoa-me...peço perdão meu amor e só então finalizas...


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